sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

História - república brasileira

Uma aula sobre a Proclamação da República do Brasil - Cláudio Zaidan. Não o admiro e não concordo com as posições dele, mas considero este áudio muito interessante para que seja possível uma melhor compreensão do tema. 
 





Um pouco mais sobre o Império Britânico e o meu texto sobre o neoimperialismo

Neste texto: neoimperialismo eu falei um pouco sobre imperialismo e neoimperialismo. Citei o Império Britânico, mas creio que faltou acrescentar algo importante: ao contrário dos EUA, que jamais praticaram um modelo de império clássico, o Reino Unido colonizou várias regiões com populações britânicas, sobretudo na América do Norte. Como o texto foi focado no neoimperialismo, eu não falei muito do período dos impérios europeus a partir do Século XVI. O Império Britânico deve ser analisado não só sob a ótica do neoimperialismo, pois o Império Britânico se formou bem antes disso, estando inserido no contexto das grandes navegações. Então, justiça seja feita: os britânicos atravessaram os dois grandes períodos de expansão européia estando sempre entre as maiores potências. Ou seja: se por um lado, no período neocolonial Londres não fez o que os impérios tradicionais fizeram, no período colonial "clássico", houve grande imigração britânica e contribuição cultural, principalmente quando o assunto é América. Penso que o Império Britânico merece um estudo a parte, por ter estado no topo no mundo tanto em fases do  período colonial, quanto do período neocolonial, e no final das contas, Londres ainda preserva até hoje parte de seu legado com a Commonwealth e os seus territórios ultramarinos e afins, que não são nada desprezíveis, pelo contrário. Não quero praticar injustiças aqui, e nem quero ser xenófobo ou xenófilo. Pretendo falar mais sobre os velhos impérios europeus no futuro, e obviamente falar sobre o Império Britânico é mais difícil, dado o enorme período de liderança britânica no cenário geopolítico e econômico global. Bom, por enquanto é isso.

O que é neoimperialismo?

https://de.m.wikipedia.org/wiki/Datei:Us-uk.svg

Texto original postado no começo do blogue, mas com data atualizada por conta da correção de erros de digitação.

É  muito comum o termo imperialismo ser usado por opositores e analistas do projeto de poder global do eixo Londres-Washington. Eu não sou um defensor do uso deste termo, pois este projeto de poder não se encaixa em um projeto típico de império. O que existe é um projeto de poder que eu prefiro chamar de neoimperialismo. Vou explicar porque. 
Desde o surgimento dos primeiros impérios, desde a Mesopotâmia até o Egito, nas primeiras civilizações, passando pela antiguidade clássica de impérios como os de Roma e da Pérsia, até chegarmos na modernidade, com os impérios europeus mercantilistas, como os impérios da Espanha e a primeira fase do Império Britânico, sempre foi possível identificar alguns traços em comum entre estes diferentes impérios. Suas estruturas não se resumiam em forte poderio econômico e imposição militar. Embora estejamos falando de períodos distintos e de civilizações diferentes e regiões diversas, todo grande império da história possuía objetivos que iam bem além de projetos de expansão territorial e de enriquecimento.
 Quando um império se impõe sobre diversos povos em uma extensão territorial enorme (por definição, impérios ocupam vastas regiões), acontece também um grande intercâmbio cultural, linguístico e religioso, além é claro, de um grande impacto econômico e de circulação de pessoas. Babilônia, Egito e Roma são grandes exemplos. Os Babilônicos espalharam sua religião, sua cultura, seus conhecimentos arquitetônicos de seus projetos de enormes e fortificada cidades, sua linguagem semita influenciou diversos povos. A mesma coisa ocorreu com o Egito, que foi um império muito mais duradouro do que o Babilônico e que certamente ficará na história como um dos maiores e mais relevantes que o mundo já viu. Até hoje em dia a antiga civilização egípcia impressiona e seduz leigos, e especialistas do mundo todo. Ainda há muito o que se estudar e descobrir acerda do Egito Antigo. E o que dizer de Roma? 
A grandeza e a influência romana foram tão grandes que até hoje, o direito e a política romana são bases da já decadente atual civilização ocidental. Isso sem falar nas questões militares e religiosas, pois o cristianismo se expandiu através da formidável estrutural romana. Aliás, se estou digitando este texto em português, é porque o Latim reinou por mais de 1000 anos como língua mãe de milhões de pessoas na Europa e adjacências. Grandioso, realmente. 
Portugueses e espanhóis desbravaram a América e civilizaram o continente, cujas nações mais poderosas, apesar de complexamente organizadas, ainda estavam na fase dos terríveis sacrifícios humanos. Apesar dos abusos cometidos pelos ibéricos no continente americano, principalmente por causa da terrível escravidão,é inegável que o processo colonial foi algo positivo no geral, é só os mais ignorantes ou ideologizados negam isto. 
Em todos os impérios que citei aqui, outra coisa muito relevante aconteceu, também: os povos colonizadores, obviamente imigraram, ocuparam territórios colonizados, espalharam seus genes, se misturaram, mestiçaram, criaram algo novo, às vezes de modo injusto, às vezes de modo correto, mas em todos os casos, o novo surgiu, tradições foram mantidas, outras, destruídas e a humanidade seguiu sua caminhada. Desde cedo, aprendemos sobre os grandes império das história.

 Mas algo mudou a partir do Século XIX. Os velhos impérios mudaram, muitos caíram desde então e o termo colonialismo deu lugar a um novo termo: o neocolonialismo. Tema de matéria de Ensino Médio, a maioria das pessoas deveria entender o básico a respeito do tema, mas dada a péssima situação educacional do Brasil, a palavra neocolonialismo causa certa confusão, mas eu considero algo simples de se explicar, pois há um pilar central no neocolonialismo, que se chama capitalismo. A Segunda Revolução Industrial (meados de 1850 até1945) possui grande relevância aí.

https://brasilescola.uol.com.br/historiag/neocolonialismo.htm

A Conferência de Berlim foi uma tragédia para a humanidade.

Ainda que eu não queira ideologizar ou demonizar a palavra capitalismo, é fato histórico que a grande base da expansão neocolonial foi a fé mamonista no lucro. Quando uma potência buscava uma colônia, não buscava mais com múltiplos interesses, buscava apenas com o objetivo de obter o máximo lucro possível para suas elites e de muitos modos, suas estruturas de Estado e nada mais. Foi aí que o Império Britânico se tornou o maior império da Era Moderna. Você não vê na África ou na Ásia milhões e milhões de descendentes de ingleses. Você não vê no Congo milhões de descendentes de belgas, e não vê nas Filipinas milhões de descendentes de estadunidenses. Você já leu sobre o que os militares dos EUA fizeram nas Filipinas e sobre o genocídio filipino? Não há quase nada disponível em português acerca do que o neoimperialismo dos EUA nas Filipinas fez:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Filipino-Americana

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Genoc%C3%ADdio_filipino#:~:text=O%20genoc%C3%ADdio%20filipino%20ocorreu%20como,de%20mais%20de%2010%25%20da

Existem muitos outros exemplos de genocídio da parte dos governos de Washington, tanto de governantes do Partido Democrata, quanto do Partido Republicano...

Desde o século XIX até hoje, você só verá um histórico de exploração econômica e ambiental. 

Este resumo é uma ótima opção para começar a entender a questão: 

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/9-genocidios-generalizados-praticados-por-governos-autoritarios.phtml

Não é possível ver nestes países africanos ou asiáticos, desde o século XIX igrejas bem estruturadas, com uma sólida tradição religiosa, como no caso da América, com ricas culturas. O que há nas Filipinas, por exemplo, é herança espanhola ou consequência da mesma herança. Os velhos impérios e os primeiros impérios coloniais eram de fato impérios clássicos, com seus defeitos e qualidades. Os neoimpérios são bem diferentes e nada deixam nada de bom em suas neocolônias. O Império Britânico escravizou a Índia através da exploração capitalista e ferrou a China com as guerras do ópio. O que os britânicos fizeram na África é de causar revolta em qualquer um. Darwinismo social, racismo, eugenia...
 As trocas culturais e populacionais foram insignificantes. Alemães e belgas também destroçaram a África subsaariana. Franceses só fizeram besteira por lá, também. Os EUA chegaram depois na "brincadeira", mas não foram diferentes: Cuba deixou de ser colônia espanhola para ser o prostíbulo do Caribe (e ironicamente terminou aderindo ao socialismo marxista), as Filipinas espanholas foram massacradas pelos EUA, com um resultado de mais de 1 milhão de mortos. 
Um genocídio. E durante a Primeira Guerra Fria, os EUA colonizaram economicamente a América Latina e de modo covarde comandaram e/ou apoiaram golpes e mais golpes militares no continente com a desculpa da ameaça da URSS. Com ou sem URSS, eles teriam feito o mesmo, mas com outras desculpas baseadas em medos ideológicos.

Não é correto chamar os EUA de império. Não é certo, não é digno. Culturalmente, os EUA contribuem pouco, muito pouco, principalmente se levarmos em consideração o baixo nível artístico do país, se formos comparar com o que produziram e produzem os europeus, por exemplo. Não é que não tenha arte boa nos EUA, mas o lixo artístico ianque é enorme. Quase tudo o que se produz lá só visa o lucro. Economicamente, é uma catástrofe para os países pobres o padrão petróleo-dólar. Politicamente, o que os EUA fazem sobretudo no Oriente Médio e América Latina é uma vergonha em todos os sentidos. Uma pena, pois uma grande potência global poderia fazer algo bom, pois tem capacidade de sobra. E finalmente, em termos práticos, não dá pra chamar de império colonial um país que apenas recebe imigrantes. Quantos milhões de norte-americanas e descendentes vivem no Brasil, por exemplo? Desnecessário que eu responda. Milhões de iberodescendentes vivem no Brasil, resultado de séculos de colonização em uma época em que para chegar ao Brasil era uma dificuldade tremenda. Quantos milhões de descendentes de britânicos existem na Índia ou na Nigéria? Pois é. Não há uma real e forte "troca civilizacional", não há o desejo de real expansão, apenas há interesses exploratórios e nada mais. Nem os mais pobres de lá eles querem por aqui: eles querem é mão de obra barata lá, para manter a máquina funcionando, e mesmo assim, sob forte comando de entrada de imigrantes. Eles criam o problema e querem dar a solução depois. 

 Os governos de Washington sempre enxergam o Brasil como Zona de Retaguarda dos EUA. Veja aqui o que é o Brasil geopolíticamente para a OTAN: 

https://youtu.be/Sd_Bdoi1acs

Não quero que pensem que eu considero que a  Babilônia era moralmente melhor do que EUA ou Reino Unido, ou algo do tipo. Não é disso que se trata. Eu não estou dizendo que qualquer império é melhor do que o neocolonialismo. O meu objetivo é mostrar que neocolonialismo é o termo mais adequado para  se utilizar no contexto em que estamos.

É claro que não posso deixar de fora o "império soviético". Eu ainda aceito o termo império porque era comandado por Moscou, que manteve um processo de russificação em sua área de influência eurasiática, mas que modo algum merece algum respeito, dado que foi uma mega burocracia socialista que fracassou e que em grande medida teve responsabilidade em ter deixado o leste europeu em frangalhos, inclusive a própria Rússia. Uma forma um tanto hipócrita de império, já que em nada defendeu das tradições eslavas. Pelo contrário, as destruiu o quanto pode. Até hoje o leste europeu é apenas uma sombra do que era antes da segunda década do século XX. Cabe lembrar aqui a destruição que os soviéticos exportaram mundo afora, destruindo culturas e semeando a discórdia com desculpas semelhantes as do eixo Washington-Londres. Um lado dava a desculpa do comunismo, o outro, a desculpa do liberalismo. 
E para não dizerem que me esqueci, o projeto de império do Reich nazista foi outra catástrofe, é claro, e me dá nojo só de mencionar aqui a palavra nazismo. 🤢

Fico muito curioso para saber o que fará a China, agora que está também no topo do mundo. Farão algum tipo de conciliação entre seu próprio modelo socialista e suas tradições e criará um império parecido com os impérios clássicos ou fará como fez a Moscou comunista, levando a destruição civilizacional do marxismo, só que em uma escala muito maior e de proporções inimagináveis para os povos do mundo? Muito cedo para dizer. O que podemos dizer é que de fato há milhões de chineses espalhados mundo afora, e não haverá problemas em relação a quantidade de pessoas para colonizar qualquer país, já que gente na China é o que não falta.

O imperialismo se dá com o domínio territorial, cultural e econômico de modo tradicional, formal.

O neoimperialismo é informal, pode ser relativo em vários aspectos, inclusive militar, sempre com influência cultural e sempre com forte domínio econômico.

Há um caso específico que eu quero citar, que é o caso do Japão e da Coréia do Sul. Após o final da Segunda Guerra Mundial, o Japão passou a ser controlado por Washington-Londres, mas estando o Japão geograficamente ao lado da URSS, da China e posteriormente da então recém criada Coréia do Norte, houve um acordo para o Japão fazer parte do eixo desenvolvido América do Norte/Europa ocidental, de modo que partir de então, foi posto em prática um projeto de desenvolvimento econômico que deu certo para o Japão, embora o Japão tenha se tornado totalmente dependente militarmente da OTAN, desde então. Com a trégua da Guerra da Coréia, a então recém fundada República da Coréia (a Coreia do Sul) também foi integrada ao mesmo projeto. O Japão já era forte, então foi aproveitada a estrutura que o país já tinha. Um Japão forte foi de grande auxílio para o "eixo ocidental". Mas culturalmente o Japão e a Coreia mais perderam do que ganharam, e isso é muito relevante para qualquer país. Uma nação não se faz só com dinheiro e indústrias. A mentalidade modernista já está levando Coréia e Japão aos poucos para o precipício, pois nem filhos esses povos querem ter hoje em dia. Estão aos poucos buscando uma espécie de "auto-extinção". 

Afirmo então, para finalizar, que neoimperialismo é a palavra mais adequada, mais justa, para definir o que é que o eixo Washington-Londres faz hoje em dia. Não quero aqui pregar "xenofobia" contra estes países, até porque admiro o que há de bom por lá e na verdade espero que boas pessoas possam administrar estes países. No final das contas, os próprios habitantes estadunidenses e britânicos pagam as contas das ingerências neoimperiais. 

Eu quero deixar algo para reflexão: o que está se passando no Brasil desde meados de 2016 não é parecido de algum modo, dadas as devidas proporções e diferenças de época, com o que se passou com a África do século XIX? Não está cada vez mais claro que o Brasil parece estar sendo aos poucos "neocolonizado" ? 🤔





Globalistas brasileiros: imitadores dissimulados

 


Agora é hora de falar um pouco sobre o grupo político-econômico mais forte neste país: o grupo dos globalistas. 
Como já existem fartas fontes a respeito do globalismo, sejam fontes de direita, de esquerda, e até mesmo religiosas, não irei me aprofundar no tema aqui. 

Embora seja um termo muito ironizado por diversos especialistas, eu escolhi utilizá-lo por ser um termo que, ao meu ver, bem resume o que é este grande grupo político. Formado por grandes conglomerados de mídia e de empresas globais sediadas geralmente na América do Norte e na Europa, este grupo é formado sobretudo por liberais de esquerdas e sociais democratas, grupos de direita neoliberais,
 além do sistema bancário que atua no Brasil. Penso que o termo globalismo bem explica o que representa: um mundo global, unificado e sobre forte influência de órgãos e bancos internacionais. São os principais adeptos da Nova Ordem Mundial propagada com força desde os anos 90, após a dissolução da URSS. 

🏦 O globalismo é uma ideologia que possui aspectos da direita, em um sentido de defesa de aspectos e princípios do liberalismo (ainda que não seja o liberalismo clássico, que tem viés um nacionalista), em uma visão internacionalista, e aspectos de esquerda, em aspectos morais e éticos, além de uma visão mais "mecanicista" da sociedade, ou seja, uma visão aonde a sociedade funciona como uma espécie de grande máquina com suas engrenagens. Os pilares do globalismo estão sobretudo na política do internacionalismo, economia (grandes bancos e corporações transnacionais), nos partidos políticos ligados a ideologia globalista e nas grandes mídias. 

Tem também a questão da Maçonaria (ou maçonarias), mas é um tema ainda mais complexo e é um assunto à parte. O tema merece um estudo separado. O globalismo é até certo ponto diversificado e utiliza-se fartamente de simbolismo maçônico-esotérico. 

No Brasil, o globalismo é de longe o modelo de projeto civilizacional mais atuante e forte, pois o sistema bancário, as grandes mídias e a maior parte dos partidos políticos seguem agendas globalistas. Os sociais democratas em geral, hoje em dia são pró globalismo. As pautas dos sociais democratas de hoje e dos globalistas são bem parecidas em vários aspectos. 


O PSDB

O partido que, na minha opinião, mais representa essa visão ideológica no Brasil é sem dúvidas o PSDB, que claramente imita o Partido Democrata dos EUA em muitos pontos e busca também sempre estar alinhado às pautas dos sociais democratas da Europa, que geralmente são bem próximas aos democratas dos EUA. Fora os partidos da "esquerda vermelha", que são contra a nova ordem mundial proposta pelos globalista (eles possuem outros projetos), quase todos os outros partidos acabam por servir ou como linhas auxiliares do PSDB ou como partidos do "centrão", que em muitas vezes seguem pautas ideológicas próximas das do PSDB.  O MDB, outro partido forte, tem um viés mais "neutro", por assim dizer. É claro que nem todos os membros destes partidos são globalistas e é claro que nem todas as ações deles são globalistas. Há bons políticos nos partidos aqui citados. Eu sei que política partidária é algo muito complexo e não estou generalizando tudo. Estou falando em um nível mais abrangente, apontando certas tendências ideológicas e partidárias. Isso não quer dizer que não existam no PSDB patriotas e/ou nacionalistas, ou ainda, políticos mais pragmáticos que não concordam com a visão historicamente mais globalista do PSDB, por exemplo. Para além disso tudo, partidos políticos podem mudar bastante com o passar do tempo. Mas historicamente, o PSDB tem sim este viés de alinhamento com pautas globalistas/globalizantes. Não estou usando o termo globalista em um sentido conspiracionista do termo, é claro. Atualmente, podemos dizer que o "Tucanistão" engloba vários setores espalhados em partidos diversos. 

A Rede Globo

Um grande pilar do globalismo no Brasil é a Rede Globo, que, sem dúvida alguma, é de longe a instituição de mídia que mais influenciou e influencia a população brasileira. A Globo seguramente influenciou a população mais do que qualquer instituição religiosa ou partido político no país, desde quando foi inaugurada. Se o PSDB é a imitação brasileira do Partido Democrata, a Rede Globo, em assuntos jornalísticos, é a imitação da CNN, devidamente adaptada com a realidade brasileira, com a diferença que a Globo foi por décadas absolutamente hegemônica na TV brasileira, algo que a CNN nunca chegou perto de ser nos EUA.
Sei que agora a CNN "original" chegou ao Brasil, mas isso não muda nada, pois tanto a CNN quanto a Rede Globo possuem o mesmo viés, por razões bem óbvias. 
A força da Globo no Brasil não possui paralelo no resto do mundo. Não estou afirmando que todos os funcionários da Globo possuem a mesma ideologia, ou que tudo o que passa na Globo seja ruim ou mentiroso. A "Vênus platinada" obviamente não é um ser vivo, é uma "mega empresa" com donos e funcionários, ou seja, é composta por pessoas e não por robôs. É certo que as diretrizes são dadas pela liderança, que são os membros da família Marinho. Então, são os Marinho, donos da rede, que são claramente globalistas, além de parte dos funcionários, é claro. O mesmo vale para os donos dos grandes bancos do país: não são meras abstrações, são pessoas que seguem essa visão de mundo. 

De fato, os globalistas do Brasil sempre buscaram fazer do país uma imitação dos EUA e Europa sob um ponto de vista da esquerda liberal/social democrata dos países "sede". Os neocons do Brasil são bem novos em relação aos globalistas daqui, mas algo é indiscutível: os dois lados fazem de tudo para serem imitações de seus mestres. Os globalistas brasileiros também são hipócritas e dissimulados, pois não passam de meros imitadores, sem um projeto que de fato melhore o Brasil. Eles imitam tanto os EUA que até mesmo as pautas identitarias (envolvendo negros e brancos, por exemplo), já trouxeram ao Brasil, mesmo o Brasil sendo o país mais mestiço do mundo, ou seja: tanto brancos quanto negros são minorias (você acha que mesmo que quase metade da população brasileira é branca, como aponta o IBGE? 😂). Infelizmente, os brazucas globalistas estão tão perdidos das ideias quanto os neocons e os petistas. Eles não buscam ver o Brasil como ele é, eles buscam modelos de visão de mundo prontas, importadas de fora, como se sociologia fosse um produto que se compra pela internet.

Internacionalização da Amazônia 🌳

O que creio que eles querem fazer no Brasil? 
Penso que para se compreender os globalistas brasileiros, é preciso entender que eles defendem transformar a Amazônia em um território internacionalizado sob comando dos EUA, União Europeia, Reino Unido e aliados, grupo também chamado midiaticamente de "comunidade internacional". A comunidade internacional deles: 🙄


Embora o ambientalismo em si não seja globalista, o globalismo possui nas pautas ambientais um de seus pilares. É claro que o globalismo vai muito além disso. Recomendo estudar o tema longe dos conspiracionismos malucos que existem pela internet, e é claro: com seriedade e paciência. 

Para se entender melhor o globalismo no Brasil através da questão ambiental: Corredor Triplo A
Um ponto de vista abertamente globalista: Climatismo, globalismo .

Na minha opinião, o maior objetivo globalista no Brasil é internacionalizar a Amazônia e adjacências mais ou menos nos moldes do Tratado da Antártida, de 1959, porém, com a participação apenas dos países da "comunidade internacional", que também pode ser chamada de "grupo de países membros da OTAN". 

Então, assim como os petistas e neoconservadores brazucas, os globalistas daqui não passam de meros imitadores, como se fossem macaquinhos adestrados. 🙊





 

Heavy Metal, fé e eu...

Vou explicar aqui os motivos de eu não me identificar mais como um guitarrista de rock, metal ou de qualquer outro estilo. E porque eu não irei mais tocar em bandas que assim se identifiquem. Também rejeitarei tocar em alguma banda ou grupo que se rotule musicalmente. E porque não sou contra tocar todos os tipos de música moderna.

Comecei a tocar violão em 2003, com 15 anos, em meados de fevereiro. No final do ano, no fim de dezembro, consegui uma guitarra. Larguei o violão e passei a me dedicar para me tornar um guitarrista. Eu escutava blues, rock, hard rock e heavy metal. 
Com o passar do tempo, passei a tocar heavy metal melódico e um pouco de hard rock, sendo que "me encontrei" no metal melódico por volta de 2008, já tendo tocado em uma banda de metal melódico anteriormente. Eu estava totalmente envolvido com a subcultura do metal.
Daí, até a voltar a ser cristão de verdade em outubro de 2012, eu via o metal praticamente como uma religião (no fundo, não entendia o que é religião de verdade). Eu já toquei em várias bandas, vivi e vi tantas situações que, se eu fosse contar tudo, eu teria que escrever um livro e muitas pessoas me chamariam de mentiroso.

 Enfim, a partir do momento em que me tornei cristão de fato, passei a ver as coisas de forma mais racional. Eu conhecia o rock e o metal já com profundidade, e já sabia compor (comecei compor depois de uns 2 anos tocando, apesar de já ter inventado algumas coisas antes). Com o tempo, passei aos poucos a tocar na Igreja, o que me fez ver evoluir um pouco mais como músico e me ajudou a me afastar do submundo do rock/metal. Quando eu fui para o universo metal, eu procurava um "submundo" aonde houvesse mais arte, menos ódio e mais esperanças. Encontrei o oposto disso. Não deve haver na arte um submundo mais hipócrita do que o do metal brasileiro.
 Eu já estava cansado de quase tudo o que o envolve, e eu realmente precisava de um tempo, mas de 2013 até o começo de 2015, eu estive em uma espécie de "período de transição".

De 2015 até meados de 2017, eu toquei na igreja com intensidade, tendo tocado metal poucas vezes, principalmente numa banda de metal/rock cristão que quase não ensaiava, mas os caras são meus amigos e eu gosto deles. Nas missas, eu tocava as músicas que geralmente são tocadas nas missas modernas, que são uma mistura de vários estilos, desde o gregoriano até música popular de inspiração nordestina, por exemplo (hoje sei que algumas coisas claramente são inadequadas para serem tocadas em uma missa). Já nos chamados "grupos de oração" , o que se toca é basicamente música norte-americana moderna: as influências vão do blues ao "jazz-pop", passando, é claro, pela música brasileira moderna. Não posso deixar de dizer que também vi uma hipocrisia gigantesca no meio da música cristã, e isto me desanimou muito, mas muito mesmo. Só que o foco é Deus, e não "o mundo". 
 Nessa época em que eu me dediquei a tocar apenas músicas cristãs (que muitas vezes eram apenas pretensamente cristãs), eu refleti muito e li o máximo que pude sobre a questão que envolve qual tipo de música é adequado aos cristãos. Não há muito material sério a respeito, mas eu encontrei coisas muito interessantes que talvez eu coloque aqui no blogue futuramente. Sobre a questão do que é adequado ou não para se ouvir e tocar, descobri diferentes narrativas e opiniões a respeito do tema. Um lado bem modernista, um mais moderado e um outro radicalmente tradicionalista, tanto dentro do catolicismo, quanto no protestantismo e suas diversas ramificações. Eu realmente busquei (e busco) ser coerente e viver de acordo com o que eu creio, sem ser hipócrita, ao pregar uma coisa e viver outra, nem ser extremista, o que também seria pregar uma coisa e viver outra, já que Jesus Cristo não veio para a Terra para apoiar o famoso "farisaísmo". 

Então... eu me deparei com duas correntes radicais: uma dizia que tocar rock e metal é absolutamente válido e coerente para um cristão, enquanto uma outra não só condena o rock e seus afins, como também condena qualquer tipo de música moderna. E quando eu digo música moderna, não estou falando somente do que foi criado desde o início do século XX, mas também do que foi criado muitas décadas antes. 
Eu realmente percebi que o lado mais "tradicionalista" acaba por tratar a música como uma espécie de ciência exata, o que para mim parece ser bem contraditório, já que a música é a mais complexa das artes, possuindo elementos relativos, tanto no que diz respeito as próprias estruturas básicas musicais, tanto no que diz respeito as questões que envolvem os efeitos da música na fisiologia e na alma humana de um modo geral, para além, é claro, do que envolve as percepções de cada indivíduo em seu contexto pessoal e social. 
Não foi difícil para mim perceber que a corrente mais "modernista" estava absolutamente equivocada. Os motivos são bem óbvios e eu acredito que não é necessário me aprofundar neste ponto, já que nenhuma pessoa coerente irá discordar de que, para uma pessoa cristã, ouvir bandas cujas temáticas são claramente anti-cristãs é de uma hipocrisia gritante. Mesmo em termos de estilo: é totalmente ridículo defender que seja possível, por exemplo, que uma banda cristã se utilize do death metal para evangelizar ou falar sobre a Bíblia, só para citar um caso. Não dá pra defender isto sem passar vergonha.
Sobrou pra mim a corrente moderada. Mas esta corrente não é unívoca. Basicamente, sob este ponto de vista, não é errado ouvir este ou aquele estilo, mas é errado ouvir músicas com letras e/ou ritmos inadequados para cristãos. A questão é que é possível argumentar que alguns estilos são intrinsecamente maus, por causa de suas próprias bases musicais. Aí poderíamos colocar o rock e suas variações. Ora, mas o que é rock? Hoje em dia, quase todas as bandas são chamadas de bandas de rock. Gosto da seguinte classificação: para ser rock, precisa de ter os elementos básicos do estilo, e uma música não é rock se não for dançante e não tiver algum tipo de elemento sensual, fortemente sensorial (em um sentido clássico do termo). Dos anos 50 até meados dos 60, podemos dizer que foi criado o "rock clássico", e posso afirmar, sem dúvida, que quase tudo o que as bandas mais famosas fizeram é inapropriado para cristãos. A partir do final dos anos 60, surge o hard rock e o rock progressivo. Daí as coisas ficam mais complicadas de serem definidas, porque a variedade de músicas aumentou muito. E então veio o heavy metal. Aí eu penso que tudo mudou de vez. Não digo que por causa do visual do metal, já que não há nada de satânico em usar roupa preta e uma cruz no pescoço. Pelo contrário. Eu me refiro a questões puramente musicais. Aquele rock dançante e de forte conotação sexual deu lugar para músicas realmente diferentes, com forte influência, inclusive, da música clássica e até do canto gregoriano em linhas vocais. A questão da influência ocultista e/ou satanista já existia não só no rock, mas também em outros estilos, então não se pode dizer que o metal "trouxe o satanismo para o mainstream musical". Tem outra coisa: a maioria dos músicos do "mainstream" veio de ambientes musicais religiosos, em igrejas, ou seja, foram formados por músicos cristãos e tocando músicas cristãs. Sou contra ficar criando abismos entre as pessoas. 
Qualquer pessoa honesta que tenha estudado sobre as músicas dos Beatles, por exemplo, que foi a primeira realmente grande banda de rock e a mais famosa do história, sabe que grande parte de suas músicas tinham de fato temas ocultistas e que qualquer forma de ocultismo é incompatível com qualquer forma pretensamente séria de cristianismo.
Quem nega isto, nega ou por ignorância, ou por desonestidade, mesmo. 

Pois bem, vamos lá polemizar:
 Eu acho que a música War Pigs, do Black Sabbath não é uma música inadequada, por exemplo. Instrumentalmente, não há nada de satânico ali. A música fala sobre guerra e não se pode esperar melodias e harmonias bonitinhas quando se está criticando a hipocrisia e a sujeira das guerras. Há motivos para esta música ser como ela é. É uma música absolutamente coerente. Não vejo problemas em se apreciar War Pigs. Não há nada sensualizado ali. Nada no ritmo nem na letra que possa levar alguém a admirar algo ruim ou a cometer algum pecado. Bom, se eu estiver errado, alguém me corrija...
Também não estou afirmando que Black Sabbath é no geral uma banda adequada ou não. Me referi a música War Pigs.
Eu quis dar este exemplo para dizer que, a partir de determinada época lá nos anos 70, a divisão entre estilos musicais modernos passou a ser incoerente, mais uma forma de a indústria fonográfica classificar padrões para ganhar dinheiro, ou até mesmo mais uma forma de instrumentalizar a música com propósitos ideológicos do que uma forma correta de se determinar estilos musicais.. Aí entra também velha briga burra entre direita X esquerda: "follow the money".
 Outra música famosa é Stairway To Heaven. Essa aí sim é gnose pura, portanto inapropriada para cristãos. Aliás, cristãos que conhecem realmente o Led Zeppelin, não escutam Led Zeppelin. E ponto. Não importa qual seja o ritmo, quando a banda é claramente gnóstica, não há como defendê-la, e eu realmente não me importo em ser chamado de fanático religioso por dizer isto. Sou apenas coerente. A verdade é que grande parte, senão a maioria das bandas deste meio rock/hard/metal são anti-cristãs. Eu disse a maioria. Algumas por intensão, outras não. Algumas são claramente satanistas e/ou ocultistas, outras são ateísta e outras hedonistas. 

Eu realmente sofri para chegar em um bom termo, e cheguei a algumas conclusões que provavelmente irritarão "gregos e troianos": 
Não é toda música moderna que é inapropriada. Estamos em 2021, e eu percebi com o tempo que tanto os mais conservadores quanto os mais progressistas geralmente são uns chatos querendo mandar nos outros. Não há consenso científico em relação a todos os efeitos de uma música na mente humana, pois ainda houvessem duas pessoas exatamente iguais no mundo vivendo no mesmo local, com a mesma cultura, etc, eles teriam uma visão musical diferente uma da outra, e uma mesma música teria um efeito diferente em cada pessoa. Se você escuta uma música pela primeira vez quando está com sono pela manhã, seu corpo terá uma reação. Se você ouve a mesma música pela primeira vez de noite, por exemplo,a reação é outra. E o que dizer sobre a experiência musical de cada um durante sua vida? Obviamente que certos ritmos e músicas possuem certos efeitos que não mudam, mas só pelo exemplo que dei, considerando o universo de possibilidades que existem no que diz respeito a tudo o que a música nos causa, já se pode concluir que não se deve generalizar tudo, pois há tantos fatores a serem considerados, tanto em relação as próprias músicas e estilos quanto em relação as pessoas e culturas, que fica impossível fazer uma espécie de julgamento final em relação a tudo o que existe de estilos e músicas no mundo. 
É inegável que se pode fazer um bom trabalho de evangelização cristã com o que se chama hoje de "rock" ou "metal", e é inegável que algumas bandas ajudam muito neste trabalho de levar a paz e a alegria para os cristãos mundo afora. O que não se pode é usar certos ritmos e estilos que não edificam ninguém. Há o fator relativo, mas há o fator exato, inequívoco. 
Eu não tenho dúvidas de que um metal cristão, com som pesado, pode fazer uma pessoa refletir sobre a violência, por exemplo, ou então, por exemplo, um metal épico falando sobre as grandes histórias do Velho Testamento ou do Apocalipse pode ser muito edificante e animador para quem escuta, enquanto algumas dessas músicas tocadas em grupos de oração da RCC (Renovação Católica Carismática) e várias comunidades protestantes/envangélicas são sensuais (não estou falando exatamente no sentido sexual da palavra) e não edificam ninguém em nada. Aliás, o sentimentalismo religioso só faz mal. Uma coisa é uma música mais sentimental em algum momento apropriado para isso, outra coisa é uma hora deste sentimentalismo barato que se vê em tantos grupos de oração. Uma coisa é uma música alegre com ritmo de dança (na própria Bíblia fala-se de dança), outra coisa é transformar um show em uma bagunça total...Só estou dando alguns exemplos. Podemos pensar no volume adequado para se escutar uma música, por exemplo. Uma mesma música, com o mesmo tom, sendo tocada com alguma sétima desnecessária, ou com a bateria alta, pode colocar tudo por água abaixo em um momento de oração, e as pessoas presentes sequer perceberão na hora. Mas os efeitos estarão em suas mentes. Música é algo muito sério.
Eu finalizo dizendo que cada caso é um caso: o mais importante é ter discernimento e estudar o possível para não tocar coisas inadequadas, pois um cristão não pode dar um mal testemunho, ao mesmo tempo em que se deve fazer como fez São Paulo Apóstolo, quando "entrou no mundo" para levar o amor de Cristo para as pessoas, e não cedeu ao mal e ainda por cima viveu para o próximo, na humildade...
Existe um setor eclesial com mais egocentrismo do que o setor musical? Duvido que exista...
Acredito então, ser possível ter uma banda de música moderna, sem rótulos classificatórios, com foco nas coisas de Deus, na evangelização e ensinamento das coisas boas. Mas também é possível ter uma banda que não seja exatamente uma banda focada em evangelização ou histórias bíblicas, mas que seja uma banda "secular" que tenha uma mensagem boa e que faça bem para os fãs da banda. Isso é bem bacana, pois mostra que não podemos ficar dividindo as pessoas como se fossem mercadorias em um supermercado Eu mesmo só tocarei em uma banda se esta banda não for "mundana". O mundo está cada dia mais caótico e eu não quero usar a música para piorar tudo. Pelo contrário, quero melhorar. É um assunto enorme, e eu não quero transformar este texto em uma autobiografia ou livro de crítica muscial. Até porque não me vejo capacitado para isto. 
Eu vivi muitas coisas na música, mas uma coisa que eu aprendi muito importante eu quero compartilhar aqui:

Antes, meu sonho era ter uma boa banda e gravar um bom CD, além de fazer shows e conseguir, é claro, bons equipamentos para tocar. Mas depois que passei a tocar na Igreja, eu já havia desistido disso, mas tinha um vazio em mim. Com o tempo, este vazio foi preenchido quando percebi que tocar em uma Missa, uma única vez, é mais importante do que gravar qualquer CD ou fazer qualquer show. Tocar em um grupo de oração (da forma correta, em um ambiente correto) é mais importante do que ter um vídeo-clipe com milhares de visualizações no YouTube. Saber que o que toquei em um momento de oração ajudou a tirar alguém da depressão, ajudou aliviar a tristeza ou simplesmente fez alguém pensar em Deus, é mais gratificante do que os prêmios que o mundo dá para os músicos em geral. Ainda quero gravar, ter uma banda, mas não tenho mais este vazio causado pela frustração de depender das pessoas para realizar um sonho, pois eu aprendi que não há nada mais gratificante do que fazer a coisa certa, mesmo no anonimato, o que é bem legal. Você não precisa de ser reconhecido (a) pelas pessoas. Basta ter a paz de Deus no coração e aquela sensação de dever cumprido no final. 

O que você faz na vida, ecoa na eternidade.

Eu gostava muito dessa guitarra e toquei com ela por uns 6 anos, mas em um dia muito triste e com ela já bem gasta (Não seria caro arrumar...) e eu sem grana nenhuma, acabei vendendo ela quase de graça e até hoje sinto saudades...
Espero ter ajudado alguém com minhas palavras. 

O Ocidente e a Nova República de 1988



Brasileiros não são ocidentais 👍🏻

A Nova República 📜

Desde 1988, data do início da chamada Nova República, com a nova constituição, se alimentou no Brasil a ideia de que o país entraria de vez no concerto das nações de primeiro mundo, como candidato a grande potência, já que o Brasil passou a ter uma constituição que segue os padrões aceitos pelo chamado "mundo ocidental", liderado principalmente pelos EUA e União Europeia. A Constituição brasileira de 1988 é indiscutivelmente social democrata. A constituição de orientação social democrata (não é a social-democracia marxista!), segue uma linha semelhante em muitos aspectos as constituições dos países do chamado "bloco Ocidental", com democracia nos moldes liberais e uma estrutura de Estado de forte inspiração social democrata e com aspectos socialistas (não-marxista). Possui uma forte influência socialista na questão do trato à propriedade privada, quando diz que a propriedade privada deve atender a "função social", por exemplo. Algo dúbio, no mínimo, mas quando se estuda a Revolução  Francesa, percebe-se que muito do que inspirou os comunistas veio de lá, mesmo. Obviamente não estou falando só do socialismo de inspiração marxista e/ou soviética, mas também de um socialismo com inspirações no socialismo francês, que os marxistas chamam de "socialismo utópico", e que também possui influências positivistas, que influenciaram a social democracia europeia, tão amada por alguns intelectuais da chamada grande mídia brsileira.

 O que teoricamente tinha tudo para trazer certa estabilidade, no que diz respeito a posição do Brasil no concerto das nações e em termos econômicos (afinal, o Brasil estava entrando em total consonância com o Ocidente), com o passar do tempo, foi se tornando em um grande problema, por motivos variados. 

Há muitos defeitos na atual constituição. De qualquer modo, é óbvio que a atual constituição do Brasil não é a pior, e eu a considero a melhor (ou menos pior) desde que a constituição do Brasil Império que foi acabada pelo golpe militar de 1889. A do Brasil imperial foi a melhorzinha quando acabou a escravidão, mas não durou quase nada depois. Desde a Proclamação da República, o Brasil só foi ter uma constituição mais sólida em 1988, apesar dos pesares.

Nasci em 1987 e posso afirmar por experiência própria, que o Brasil dos anos 90, se não fosse pela questão da violência que assolou (e ainda assola) o país, seguramente teria sido o melhor período da história do Brasil, pensando em termos econômicos e sociais básicos. Ora, era um Brasil com uma economia melhorando, com uma moeda estável, mais aberto economicamente e sem riscos de guerra civil ou grave crise social. A pobreza diminuiu, a população passou a ter maior poder econômico e o Brasil de fato "entrou" no mapa-mundi da economia.
Foram breves anos de esperança e liberdade (liberdade que se converteu em libertinagem, pois o povo não soube usar a liberdade da forma correta, diga-se de passagem 🙁). 

Então, reforço aqui que o advento da Nova República realmente ajudou no desenvolvimento econômico do Brasil em muitos aspectos, e o Brasil já era tido como um país estável  (para os padrões da visão do atual Ocidente, ao menos dentro de uma visão mais generalizada) e em franca expansão. Para um país que não faz parte do Ocidente, já é um avanço, posto que o Ocidente, apesar de sua decadência civilizacional, ainda é majoritariamente próspero. 

 Mas cada país, cada sociedade, cada região, possui suas particularidades, e não existe uma fórmula mágica ou algo do tipo para que uma nação cresça social e economicamente. Se por um lado, internacionalmente, o Brasil ganhou respeito e relevância, por um outro lado, alguns aspectos pioraram. A violência cresceu absurdamente, mas a corrupção política brasileira, provavelmente abafada nos tempos da ditadura militar, passou a ser mais aberta na Nova República. Forças claramente mafiosas vieram à tona em todos os setores da sociedade: em setores econômicos, do sistema educacional, midiático e em diversos grupos religiosos. Na época da ditadura militar isso era obviamente abafado. Vale muito a pena estudar sobre o Brasil dos anos 90!

Atualmente, é fácil constatar que o "sonho noventista" acabou. A Nova República só existe na teoria, pois o que se tem hoje, nada mais é do que um país de mentira, definitivamente se tornou colônia dos países poderosos e a cada dia é mais humilhado perante o restante do mundo. 
O Brasil tentou ser parte do Ocidente em 1988 com uma receita teoricamente infalível. Deu errado. 

Não, não somos ocidentais e não há problemas nisso. O problema é não ser mais nada, além de neocolônia. E desta vez, não somente dos europeus e dos EUA, mas também da China e de quem mais quiser, de quem mais vier...






 






Em defesa dos imigrantes e contra o Estado interventor


Um dos maiores erros nas discussões políticas atuais é a defesa da ideia de que ser conservador é defender o controle exagerado das fronteiras nacionais. Nada mais equivocado. Eu vou falar agora sobre a questão da imigração nos EUA.
Os EUA, assim como o Brasil, foram inundados de imigrantes no século XIX. A maioria veio aqui para a América partindo da Europa. Naquela época, um período muito mais conservador do que atualmente no mundo Ocidental, pouco era necessário para entrar aqui na América. Vou me focar um pouco mais nos EUA:
O número de imigrantes que adentrou nos EUA desde o século XIX gigantesco:

"...mais da metade da população atual dos Estados Unidos (que é de 320 milhões de habitantes) tem antepassados que entraram no país pela cidade de Nova York entre as décadas de 1820 e 1920." 

A maioria partiu do Reino Unido, da Europa germânica e da Península Itálica. Em uma época em que não existia sequer passaporte, centenas de imigrantes chegavam em navios diariamente nos EUA, mudando para sempre os rumos do país. A maioria era pobre e chegava com poucos recursos em um país gigantesco, com muita vontade de trabalhar, estudar e engrandecer o "Novo Mundo". Pessoas ricas e de condições financeiras medianas também chegavam aos montes. 
Em um mundo muito mais livre, as pessoas tinham liberdade para produzirem riqueza e criarem novas comunidades. Nada mais conservador. É claro que houve preconceito, xenofobia e desrespeito em várias ocasiões, mas nada comparado ao que se vê no discurso anti imigrações de hoje em dia. Não estou levando em conta, é claro, a questão do racismo contra os negros, que era um absurdo no Século XIX. Hoje em dia, o que vemos na questão do racismo dos EUA é histeria neomarxista acusando os brancos de praticarem o "racismo estrutural", o que é uma farsa. 

Na mentalidade socialista, o forte controle estatal da sociedade sempre foi uma prioridade. Excesso de documentos, muitas regras, entrega de informações familiares e outras práticas burocráticas sempre estiveram na agenda dos socialistas, sejam eles marxistas ou os "socialistas utópicos". E assim é até até hoje. Conforme a influência socialista foi crescendo nas estruturas estatais mundo agora, as exigências para imigrantes foram aumentando. Com a ascensão do socialismo e demais teorias políticas similares, o Estado passou a ser um controlador nefasto até da vida privada das pessoas. O século XX chegou, veio o fascismo, que cooptou parte dos conservadores, tornando-os na verdade revolucionários, ou seja, a Terceira Teoria Política se apoderou do termo conservadorismo, e como toda farsa bem feita, enganou multidões pelo mundo. Pois bem, o fascismo se enfraqueceu após a Segunda Guerra Mundial, mas a influência do pensamento estatista do século XX não acabou. Com a virada do milênio e o surgimento do neofascismo, criou-se erradamente o mito de que o controle exagerado de fronteiras e a xenofobia são características do conservadorismo. Mentira! Sempre foi característica socialista e fascista o forte controle social e a máxima intervenção possível sobre a circulação de pessoas. Quem defende que haja forte restrição de entrada de imigrantes latino-americanos nos EUA não está agindo de modo conservador. Ao contrário, está agindo em favor de uma agenda socializante e até mesmo neofascista ou filofascista. Não é a toa que os mesmo defensores do controle forte de fronteiras nos EUA são os que dizem lutar contra a "extinção do homem branco". Um absurdo com cheiro de nazismo. O fato é que a maioria dos imigrantes que entram nos EUA é composta por cristãos conservadores (de maioria católica) com uma taxa de natalidade maior do que a taxa média dos EUA, o que é ótimo, pois uma população envelhecida não gera riqueza. 
Desde quando o fator "raça" deve ser preponderante para definir política migratória? Desde quando imigrantes cristãos destroem a cultura dos EUA, sendo que os EUA sempre foram um país de maioria cristã? Não é estranho o discurso anti imigração? Já está provado que a história de que imigrantes aumentam a violência nós EUA é uma farsa: violência e imigração nos EUA

Derrubado o argumento da suposta violência dos imigrantes, agora é hora de derrubar o argumento da extinção da raça branca: 
Ora pois, já está comprovado que só existe uma raça, a raça humana. O argumento racial é ridículo. O argumento cultural também é, já que quase todos os que adentram os EUA são cristãos ou secularistas. 

Não há risco de superpopulação nem de guerra por motivos étnicos ou algo de tipo. O que está por trás do ódio aos latino-americanos que vão para os EUA é o velho racismo e o supremacismo WASP. Ódio contra imigrantes é reflexo de insegurança e ignorância. Defendo que os mexicanos, argentinos, brasileiros, etc, assim como dinamarqueses e russos possam adentram tranquilamente nos EUA, sem tanta burocracia e controle estatal. Aliás, eu gostaria de ver, por curiosidade, uns 100 mil dinamarqueses étnicos pedindo espontaneamente para irem viver nos EUA. O motivo? Eu queria ver a reação dos defensores de Donald Trump. Será que gritariam : "Danish boys, go out?" , como gostam de fazer com os mexicanos? Bom, dá pra imaginar como seria, não é mesmo? Claro que isto só aconteceria se uma catástrofe ocorresse na Dinamarca e eu não desejo isto. Eu apenas quis levantar a hipótese para melhor explicar o que está por trás da babaquice anti imigração nos EUA.

Não sou liberal, nem no sentido usado no EUA (esquerdista, liberal de esquerda e afins), nem no sentido usado no Brasil (capitalista, defensor do liberalismo, do iluminismo), mas irei colocar aqui um link de um liberal brasileiro bem conhecido defendendo a livre circulação de pessoas: 

É óbvio que existem casos e casos. Na Europa, por exemplo, a situação é outra. Envolve a União Européia e dezenas de país. Envolve questões culturais profundas e questões religiosas sérias, para além da muito complexa geopolítica envolvendo Europa, Mediterrâneo, Israel, Oriente Médio, etc. Mas em linhas gerais, lá também o controle de imigração é um fracasso. E no Brasil? Bom, aí é tema para um artigo a parte, já que não sabemos se existirá Brasil nos próximos anos...



🌐 Relações entre Globalização, Globalismo e Primeira Guerra Mundial ⚔️

Este é o meu TCC da faculdade de História. Não acrescentei nada no que diz respeito ao conteúdo, apenas tirei o caráter formal dos padrões dos trabalhos acadêmicos e adaptei a formatação para que fique melhor aqui no meu blogue. Finalizado no início de 2020. 


Relações entre Globalização, Globalismo e Primeira Guerra Mundial 

    Diego Fernandes Mendes 1

RESUMO

Este artigo discorre sobre o processo de globalização, desde seu início, com os projetos coloniais iniciados com as explorações marítimas, com seus pressupostos históricos, passando pelo início dos projetos imperiais de poder de inspirações globalistas (projetos de domínio global), a expansão do capitalismo global (período neocolonialista), abordando os principais fatores que levaram a ordem diplomática internacional para um caminho de ruptura em 1914, durante o período histórico conhecido como Belle Époque, fazendo o mundo conhecer a primeira guerra de proporções globais, a Primeira Guerra Mundial, que foi fortemente influenciada por ideias de governos com aspirações globais. Guerra esta que levou o mundo a mais uma guerra, a Segunda Guerra Mundial, cuja principal consequência foi a Guerra Fria, uma disputa pela hegemonia global, desta vez de cunho ideológico. Visando explicar todo período de modo bem objetivo, o artigo é concluído com breves comentários sobre as consequências de todo processo, que culmina na disputa entre os blocos globalistas EUA e URSS na Guerra Fria e finalizando com o início de um novo período de disputas pelo domínio global.

Palavras Chaves: Globalização. Globalismo. Primeira Guerra Mundial, Geopolítica Global


1 INTRODUÇÃO 🖋️

Temas muito abordados atualmente, a globalização e uma de suas consequências, os projetos de poder globalistas são temas muito polêmicos e também temas de extrema importância para que seja possível compreender o mundo atual. 

Os países europeus disputaram a hegemonia dos mares desde o Século XV, passando pelo período da Terceira Revolução Industrial até o Século XX. O nacionalismo pós Renascentismo e os ideais imperialistas do século XIX, assim como o tecnicismo positivista e a visão da necessidade do progresso liberal capitalista foram os grandes fatores que contribuíram para que a visão de mundo globalizado fosse a tônica das ações das grandes potências ocidentais. Não é possível compreender o atual mundo extremamente globalizado e tecnológico sem compreender quais são as origens políticas, econômicas e civilizacionais de modo geral que trouxeram o mundo a atual situação, nem se pode entender o atual sistema internacional sem a compreensão dos períodos de transição das relações entre povos e nações.

 Este artigo não visa se aprofundar nos temas. Visa sim demonstrar que desde o início da globalização, sempre houveram projetos imperiais com o objetivo de domínio global, sendo o termo globalismo o mais apropriado para nomear tais projetos, sendo distinto do termo globalização, termo este de cunho mais genérico, que diz respeito a interações econômicas, política e culturais a níveis internacionais e globais. Visa também mostrar que foi na ruptura diplomática da Primeira Guerra Mundial que houve a maior tensão e transformação da história do mundo globalizado. 


2 INÍCIO DA GLOBALIZAÇÃO ATRAVÉS DAS EXPLORAÇÕES MARÍTIMAS 🇵🇹

O século XVI foi palco de grandes mudanças: na cultural de modo geral (artes, poesia, música, etc), o Renascentismo se consolidou. A economia expandiu. Na religião, surgiu a Reforma (para alguns, Revolução) Protestante e, como consequência de tudo isto, a política, sobretudo internacional, ganhou novos rumos: a expansão dos mares. Com a queda de Constantinopla, o último bastião do antigo Império Romano, toda a economia, sobretudo a da Europa e do Oriente Próximo se transformou rapidamente. De venezianos até os ibéricos, passando pelos centro-europeus (alemães, austríacos, suíços, por exemplo) e os britânicos tiveram que mudar todo um sistema de rotas de comércio que existia desde séculos anteriores, pois os bloqueios comerciais e navais impostos pelos líderes do Império Otomano abalaram drasticamente todo o sistema financeiro europeu. As rotas euroasiáticas deram lugar a novas rotas exploradas pelos ibéricos que se expandiram inicialmente através da grande costa da África, até então pouco explorada por europeus.

Com a mudança, os ibéricos saíram na frente:

Portugal foi a primeira nação a se aventurar no mar com objetivo de estabelecer colônias em áreas remotas, processo este iniciado no século XV. E a ele, seguiram-se outras nações, principalmente Espanha, Inglaterra, Holanda e França. O ciclo findou no século XX. É verdade que a ideia de colonização já existia no mundo antigo, várias cidades gregas, por exemplo, fundaram colônias. Mas, somente a partir do século XV foi possível o surgimento de impérios coloniais que varriam grandes extensões de terra sem contiguidade, que continham partes em porções isoladas nos continentes, com as comunicações entre a metrópole e a colônia realizadas por meio de longas navegações, nos mais variados mares (Andrade, 20--). 


 A partir de então, inicia-se uma grande disputa pela hegemonia dos mares: holandeses, franceses e principalmente, ingleses começaram a disputar com os ibéricos cada nova rota marítima através dos vastos oceanos. Assim, então, podem-se tirar algumas conclusões: 
Iniciadas então as grandes navegações e iniciados então os grandes processos de colonização entre continentes, começou então um período que pode ser chamado de globalização. 


3 PERÍODO COLONIALISTA, O PRIMEIRO GRANDE EMBATE PELA HEGEMONIA GLOBAL 🇪🇦 🇬🇧

Ao mesmo tempo em que os novos conceitos de Estado Nação se consolidavam, um novo conceito surgia: o dos impérios coloniais, fortemente controlados por monarquias que na maioria das vezes eram absolutistas. A principal inspiração pós medieval foi a Renascença. O período imperial da Antiguidade Clássica (inclua-se aí o período imperial de inspiração cristã em Roma) serviu como inspiração para os impérios coloniais que surgiram com o início da modernidade.. As consequências das ideias da Renascença foram preponderantes para a expansão europeia, aliando ideias humanistas, cientificistas e aristocráticas com ideias expansionistas. A grande mudança organizacional dos povos europeus foi o advento do moderno Estado Nação “vestfaliano”, a partir de 1648, após a Guerra dos 30 anos (1618-1648).

De acordo com Cotias (2017). a partir da Paz de Vestfália, podemos reconhecer o surgimento de uma nova tipologia de Estado, o moderno, cuja característica mais proeminente é o da soberania. Ela marca o fim das hostilidades conhecidas como a Guerra dos Trinta Anos, em 1648.

A Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) foi um conflito Europeu que se desenvolveu em função de fatores como as rivalidades religiosas, o expansionismo territorial e as disputas no plano econômico, com teatros de guerra que passaram pelos territórios germânico, dinamarquês, sueco e francês. A Revolução Francesa, de 1789, também teve certos ideais antigos resgatados por influência Renascença (COTIAS, 2017). 

Os projetos de impérios cristãos foram preponderantes para que surgissem grandes impérios europeus. Os impérios de Portugal, Espanha, os pioneiros na expansão marítima, e Inglaterra, que tornou-se a grande potência global com a Revolução Industrial que surgiu após o mercantilismo ter enfraquecido, são os grandes exemplos.

Portugal deixou de ser apenas um reino e, após conquistar grandes territórios sobretudo na América do sul, foi tornando-se cada vez mais complexo, de modo que, no ano de já era um Estado Nação consolidado. De modo parecido foi com a Espanha.

Os ingleses também foram rápidos em buscar a expansão marítima, pois o Mercantilismo favorecia mais as nações com vocação marítima e os ingleses foram competentes em saber utilizar as tecnologias de navegação da época.

O período colonial aliou, de fato, ideais imperialistas aos novos conceitos de Estado Nação. Temos, portanto, uma certa tensão entre a tradição ocidental de império e as novas ideias de organização social e política surgidas com o advento da modernidade. 


3.1 A CONSOLIDAÇÃO DO CAPITALISMO E O NEOCOLONIALISMO 💰

Após o período mercantilista, que colocava o bulionismo como norte econômico no que diz respeito a questões econômicas dos Estados europeus do século XVI e meados do XVII, O chamado período neocolonialista apresenta grandes diferenças do período colonialista clássico, porque se no período colonialista clássico havia ainda um forte componente religioso nas razões de expansão das potências europeias, o neocolonialismo é mais focado na economia cada vez mais capitalista e menos mercantilista, cada vez mais industrializado e menos dependente das antigas plantations coloniais, apesar de ainda existirem muitas colônias de exploração e ou “colonização clássica” (para simplificar o termo) sob o poder nações europeias, e cientificista do que no ideais de expansão do cristianismo, embora a religiosidade ainda não estivesse ausente da cosmovisão dos governantes e poderosos das nações no período neocolonialista e capitalista . No período neocolonialista, podemos notar que o positivismo, de viés cientificista e ateísta gozava de grande prestígio entre as aristocracias e universidades mundo afora. O positivismo nasceu influenciado pelos ideais da Revolução Francesa e da Revolução Industrial.

Essa linha de pensamento ocidental nasce dos resultados dos acontecimentos do século XVIII, principalmente a Revolução Francesa e Revolução Industrial. Os pensadores do positivismo tratavam de aspectos filosóficos, políticos e sociológicos e propunham um entendimento do mundo pautado nos valores exclusivamente humanos, ou seja, descartavam as ciências da religião e as doutrinas que investigavam a essências das coisas (TEIXEIRA, 2015)

Como o comércio, a educação e toda a rápida divulgação de pensamento e conhecimento, seja pelo telégrafo seja pelo vapor, tudo mudaram, acredito que o grande criador prepare o mundo para se tornar uma nação falando um único idioma, uma realização que fará que os exércitos e os navios não sejam mais necessários. Presidente Ulysses S. Grant, 1873. (Hobsbawn, 2017).

O período do neocolonialismo foi contemporâneo ao período em que se iniciaram também as grandes federações, com a expansão e consolidação dos EUA no século XIX (primeira república da América) e no processo de solidificação do Estado brasileiro no mesmo período. Embora tivesse um sistema político monárquico, o Brasil já surge como um Estado-Continente semelhante aos EUA em vários aspectos. 


4 OS IMPÉRIOS EUROPEUS E OS EUA COMO VANGUARDA POLÍTICA E ECONÔMICA DO PLANETA 🗼🗽

Não seria exagero dizer que velhas ideias imperialistas não morreram com o final do século XIX nem com a derrocada dos império após o final da Primeira Guerra Mundial, pois, se os tradicionais impérios ruíram, uma nova forma de se organizar superterritórios estava ganhando mais força e a expansão econômica norte-americana já era bastante forte.

O período de transição entre a “Era Colonial e Neocolonial” e a Primeira Guerra Mundial, que Hobsbaum (2017) define como A Era dos Impérios, vai desde 1875 até 1914. Esta definição, embora não possa ser considerada como uma verdade absoluta, serve para que se possa compreender melhor o período em que o Liberalismo triunfou em quase todo mundo e também serve como norte para que seja possível compreender como se deu a derrocada do sistema internacional com a Primeira Guerra Mundial. Os impérios europeus já não eram tantos, mas eram muito poderosos. Portugal estava enfraquecido, já não possuía o Brasil, a Espanha havia perdido grande parte de seus vastos territórios e, apesar de ainda possuir colônias significativas, como Filipinas e Cuba, por exemplo, não podia mais concorrer nem com a França, muito mais industrializada e rica, nem com a primeira superpotência global, o Reino Unido, que detinha a hegemonia Industrial e comercial perante seus concorrentes globais. A Alemanha, unificada oficialmente desde 18 de Janeiro de 1881, crescia em uma velocidade enorme e em poucos anos tornou-se um império fortemente expansionista e altamente industrializado. 

Além disso tudo, surgia como potência uma nação nova, uma Federação de Estados prósperos com um território gigantesco a ser conquistado, ainda pouco populoso em relação a Europa e Ásia e em crescimento rápido: os Estados Unidos da América, que desde o princípio, apesar de não ter entrado tão cedo na disputa pela hegemonia global, já dava claros sinais de que entraria no concerto de nações para estar no topo, seja economicamente, seja militarmente, culturalmente e geopoliticamente. O grande exemplo de agressividade da parte dos EUA, que demonstravam que o país iria sim disputar a hegemonia global, foi a Guerra Hispano-Americana, em 1898, quando os EUA expulsaram os espanhóis de Cuba e das Filipinas de modo particularmente nas Filipinas, aonde posteriormente, na chamada Guerra Filipino-Americana (1899-1913), 1 milhão de civis foram mortos pelos militares dos EUA. O episódio ficou conhecido como Genocídio Filipino. Estava claro que a política de Washington já era claramente agressiva e expansionista, guiada por “ideais globais”. Em suma, nas últimas três décadas do século XIX, ou, como muitos afirmam, as últimas décadas do “longo século (1776 ou 1789 – 1914), o mundo já era de fato um mundo globalizado e os mais poderosos países do mundo estavam claramente buscando dominá-lo futuramente.

Para Hobsbawn, (2017) qual seria o resultado de uma comparação entre o mundo dos anos 1880 e o dos anos 1780? Em primeiro lugar, em 1880 ele era genuinamente global, Quase todas as suas partes agora eram conhecidas e mapeadas de modo mais ou menos adequado ou aproximado.

Revolução Industrial, expansão imperial, crescimento populacional, expansão da produção agrícola, aumento absurdo em comunicação e principalmente transportes levaram o mundo a um patamar tecnológico nunca antes experimentado na história humana. Estavam dadas as condições para que um certo desespero por expansão econômica, industrial, comercial, territorial e cultural passasse a guiar as elites econômicas, intelectuais e políticas das grandes potências globais., baseadas, como já dito anteriormente, em ideias liberais, positivistas e cientificistas que buscavam a máxima integração entre distantes territórios ao mesmo tempo em que as ideias de aniquilação de nações rivais cresciam cada vez mais. A marcha para um rompimento diplomático e um embate militar que levou o mundo globalizado a sua primeira grande guerra globalizada em 28 de Julho de 1914 foi forte e constante.


5 OS ANOS DE CRISE E RUPTURA ATÉ O INÍCIO DA GRANDE GUERRA 🇨🇵 🇩🇪 🌋

Segundo Stevenson (2016), a essência da guerra está na ferida e no sofrimento, na captura, na mutilação e na matança de seres humanos, bem como na destruição de suas propriedades, por mais férteis que sejam nossos eufemismos linguísticos para esconder esse fato.

Conforme os Estados imperiais europeus foram crescendo, foram também crescendo as tensões entre eles. Alemanha, França, Reino Unido, Espanha, Rússia ficavam cada vez mais propensos a tomar atitudes radicais para defender seus próprios interesses mundo afora. Não se pode deixar de fora também a lembrança de que o Império Japonês também lutava por expandir seu poder pela Ásia.

Veremos agora, um resumo sobre as tensões políticas (e sociais de um modo geral), econômicas, diplomáticas, militares e culturais que levaram, crise após crise, para o caos que se instaurou na Eurásia em 1914. Sendo o cenário diplomático e geopolítico internacional demasiadamente complexo em qualquer época para que se possa definir todas as rupturas de modo exato sempre, podemos, mesmo assim, traçar uma espécie de linha cronológica de situações que foram, crise, após crise, enfraquecendo as relações entre europeus até um ponto de não retorno, um ponto de ruptura. Para que seja mais fácil a compreensão dos acontecimentos, cabe organizar as tensões sobretudo em alguns pontos: 

Enquanto se armavam, as potências europeias fizeram diversos tratados. Os principais foram:

🔸Congresso de Berlim (1878): 13 de junho - 13 de julho de 1878. Reunião de líderes das grandes potências europeias e o Império Otomano. Na sequência da Guerra Russo-Turca de 1877–1878, o objetivo da reunião foi reorganizar os países dos Balcãs.

🔸Tríplice Aliança (1882): acordo militar entre o Império Alemão, o Império Austro-Húngaro e o Reino da Itália. Formou-se então um bloco na Europa central e em parte do Mediterrâneo (Itália) . A Tríplice Aliança foi estabelecida formalmente em 20 de maio de 1882, em que cada uma das nações garantia apoio às demais no caso de algum ataque de duas ou mais potências sobre uma das partes. O objetivo principal era construir uma barreira político-militar que isolasse a França na Europa Ocidental.

🔸Entente do Mediterrâneo (1887): foi uma série de tratados assinados pela Grã-Bretanha e Itália em 12 de fevereiro de 1887 com a mediação de Otto von Bismarck, pela Áustria-Hungria em 24 de março e Espanha em 4 de maio do mesmo ano. Estes tratados buscaram definir os impasses diplomáticos e militares relativos ao Mediterrâneo.

🔸Conferência de Berlim (1885): Realizada em Berlim, de 15 de novembro de 1884 a 26 de fevereiro de 1885, marcando a atuação europeia na divisão territorial da África. Organizado pelo Chanceler do Império Alemão, Otto von Bismarck, o evento contou com a participação dos países europeus (Alemanha, Áustria-Hungria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Grã-Bretanha, Itália, Noruega, Países Baixos, Portugal, Rússia e Suécia), dos Estados Unidos da América e do Império Otomano. O objetivo oficial era o de regulamentar a liberdade comercial nas bacias do Congo e do Níger, assim como novas ocupações sobre a costa ocidental da África. 🌍

O principal resultado da conferência de Berlim foi o estabelecimento de novas regras padronizadas sobre a questão da colonização europeia.

▪️Tratado de Resseguro (1887): Feito entre o Império Alemão e a Rússia. O tratado foi assinado em 18 de junho de 1887 e continha duas partes: Alemanha e Rússia neutras em caso uma guerra com um terceiro país. A neutralidade não se aplicaria se a Alemanha atacasse a França ou se a Rússia atacasse a Áustria-Hungria; Em um protocolo secreto, a Alemanha declarou-se neutra caso a Rússia interviesse no Bósforo e nos Dardanelos.

▪️Entente Cordial (Entente Cordialle) – 1904: Série de acordos assinados em 8 de abril de 1904 entre Reino Unido e França. A Entente Cordiale, juntamente com a Entente Anglo-Russa e a Aliança Franco-Russa, tornou-se posteriormente a Tríplice Entente, entre o Reino Unido, França e Rússia. Posteriormente os Estados Unidos entraram na Tríplice Entente para enfrentar a Tríplice Aliança.

▪️A Conferência de Algeciras (1906): Ocorreu em Algeciras, Espanha, com o propósito de mediar a primeira crise marroquina entre a França e a Alemanha, e assegurar o pagamento de um empréstimo concedido pela Alemanha ao sultão em 1904. A Entente Cordiale, entre a França e o Reino Unido, tinha distribuído a influência dos dois países respectivamente, no Marrocos e no Egito, comprometendo-se as duas potências a não interferirem nas respectivas áreas. A Alemanha, contudo, mostrou interesse em estabelecer um regime de "portas abertas" em Marrocos, o que colidia com os interesses franceses. O imperador Guilherme II chegou a desembarcar em Tânger, a 31 de Março de 1905 e estabeleceu contatos diplomáticos com os ministros do sultão, em sequência dos quais se propôs a realização de uma conferência internacional. 

▪️A Crise de Agadir (1911): Também conhecida como Crise Marroquina de 1911, quase culminou em um conflito armado entre Alemanha e França, o que poderia ter ocasionado a guerra global três anos antes.

▪️A Conferência de Londres de (1912-1913): Conhecida também como Conferência de Paz de Londres, foi uma cúpula internacional das seis grandes potências da época (Grã-Bretanha, França, Alemanha, Áustria-Hungria, Rússia e Itália). Buscava pacificar as tensões e conflitos balcânicos. Um armistício ao fim da Primeira Guerra Balcânica foi assinado em 3 de dezembro de 1912. A Conferência de Paz de Londres contou com a presença desses delegados dos aliados balcânicos (incluindo a Grécia) que não haviam assinado o armistício anterior, bem como o Império Otomano.


5.1 CORRIDA ARMAMENTISTA 🛡️🗡️

Na medida em que as ações diplomáticas como os acordos e conferências iam falhando, mais as nações europeias iam se armando. As tensões subiam. A corrida armamentista crescia. Demonstrações de força bélica aumentavam e a corrida armamentista ia se acirrando. 

Ao mesmo tempo em que as potências faziam e desfaziam acordos e tratados, seus arsenais de guerra não só aumentavam, como também eram rapidamente modernizados. Segue abaixo uma simples lista do poderio bélico dos principais países envolvidos na guerra:

Alguns dados sobre o poderio militar das potências envolvidas na guerra:

A guerra exigia o elemento humano de maneira voraz. As forças armadas da Alemanha tinham, em média, de 6 a 7 milhões de soldados, com cerca de 5 milhões no exército de campo, e durante a guerra foram mobilizados 13,3 milhões de homens – cerca de 85% de sua população masculina com idade entre 17 e 50 anos. A Rússia mobilizou entre 14 e 15,5 milhões; a França, 8,4 milhões (7,74 milhões da França metropolitana e 475 mil de suas colônias); as Ilhas Britânicas, 4,9 milhões para o exército e 500 mil para a marinha e a força aérea, ou um terço da mão de obra masculina anterior a guerra. As marinhas e as forças aéreas eram as maiores recrutadoras, , e uma imensa quantidade de mão de obra civil era necessária para assegurar os serviços necessários e os funcionários para as crescentes burocracias dos tempos de guerra, mas eram os exércitos que mais exigiam recursos humanos e provocavam as baixas de maneira esmagadora (Stevenson, 2016). 


5.2 AS GUERRAS PRÉ-1914 💣

Antes que o “Concerto Europeu” viesse a fracassar, as guerras que precederam o colapso de 1914 foram demonstrativos nada ignoráveis de que as disputas globalistas poderiam terminar em uma grande catástrofes. Para que seja mais bem compreendida a escalada bélica até o início da guerra, é importante perceber que, mesmo sendo chamado de Belle Époque, o período que antecedeu a “Grande Guerra” não foi exatamente um período de paz. Vejamos os principais confrontos:

Embora não tenha sido uma guerra, a crise da Bósnia (1908-1909), a crise da Bósnia foi um fator de agravamento das tensões entre Austro-Hungria e Alemanha (membros da Tríplice Aliança) e França e Rússia, que também já estavam jutos desde o acordo diplomático da Aliança Franco-Russa (1892). A anexação da Bósnia e Herzegovina pelo império sediado em Viena fez com que russos, sérvios e franceses protestassem duramente contra tal ação. Alemães ficaram ao lado dos austro-húngaros, que haviam anexado o novo território porque temiam que os turcos do Império Otomano o tomassem de algum modo, já que os chamados “jovens turcos” haviam feito uma revolução constitucuinal em Constantinopla (atual Istambul). Desde 1878, o território da Bósnia e Herzegovina estavam sob administração do Império Austro-Húngaro, mas pertencia oficialmente ao Império Otomano. De fato, este evento abalou profundamente as relações internacionais na Europa, já que, principalmente franceses, russos e sérvios encararam o evento como um claro sinal de agressividade da parte austro-húgara (ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA, 20--). 

Cada país buscava seus interesses. Desde as potências “globais” França, Reino Unido, Alemanha, EUA e Rússia até as potências regionais Itália, Império Otomano, Japão e Império Austro-Húngaro (sendo o quarto citado uma potência de nível global militarmente falando e o Japão uma forte potência bélica que chegou a derrotar a Rússia em 1905). O Império Otomano não possuía planos mundialistas, buscando apenas manter suas fronteiras e sobrevivência por estar em um período de crise, mas historicamente sempre foi uma potência expansionista. O Império Japonês era hegemônico no extremo oriente e o Império Austro-Húngaro, apesar de ser a única grande potência europeia que não possuía ambições globais, estava alinhado com a Alemanha e contou com apoio alemão assim que a grande guerra começou nos Balcãs.      

🔺Guerra Russo-Japonesa (1904 – 1905): A guerra ocorreu no nordeste asiático, agravou-se, e o regime político do czar Nicolau II da Rússia foi abalado por uma série de revoltas internas em 1905, envolvendo operários, camponeses, marinheiros (como a revolta no couraçado Potemkin) e soldados do exército. Greves e protestos contra o regime monárquico do czar explodiram em diversas regiões da Rússia. Os líderes socialistas e comunistas procuraram organizar os trabalhadores com o objetivo de fazer uma revolução. O Japão era um país de consideráveis condições militares, apesar de enfrentar severas crises econômicas. Com navios menores, mas com grande mobilidade e poder de fogo muito ao dos pesados navios russos, a marinha do Japão sobrepujou a marinha russa. 

🔺Guerra Ítalo-Turca (1911 - 1912): Conflito ocorrido entre 1911 e 1912, envolvendo o Império Otomano e a Itália pela posse da Líbia, dividida na época em Tripolitânia, Cirenaica e Fezzan. Durante o conflito, a Itália também ocupou as ilhas do Dodecaneso, outra possessão otomana na época. No dia 29 de setembro de 1911, a Itália declara guerra ao Império Turco Otomano. Os turcos assinam um tratado de paz com os italianos em Lausanne, Suíça, a 18 de outubro de 1912. Pela primeira vez na história, um avião foi usado em um esforço de guerra. Italianos e otomanos voltariam a se enfrentar na Grande Guerra. 🇮🇹 🇹🇷

🔺Guerras Balcânicas do início do Século XX: semanas após o final da guerra entre Itália e Império Otomano, os conflitos nos Balcãs se iniciaram:
Foram conflitos bélicos que ocorreram na região dos Bálcãs. Foram duas guerras entre Sérvia, Montenegro, Grécia, Romênia e Bulgária pela posse dos territórios Império Otomano. Em 1912, Grécia, Sérvia, Bulgária e Montenegro formaram a Liga Balcânica, oficialmente para reivindicar melhor tratamento aos cristãos na Macedônia turca.

Em outubro de 1912 os exércitos da Liga, vitoriosos nas batalhas de Kumanovo, capturaram esses territórios, menos Constantinopla. Embaixadores europeus intervieram para redesenhar o mapa dos Bálcãs com vantagem para a Bulgária e em detrimento da Sérvia. Um mês depois, o governo de Sófia lançou um ataque preventivo contra os sérvios e gregos, que queriam as conquistas búlgaras. Embora vitoriosos contra os sérvios em Kalimantsi (18 de julho), a Bulgária sofreu um ataque surpresa. A Romênia, até então neutra, ocupou o território litigioso da Dobrudja e ameaçou atacar para Sófia. E para piorar, os otomanos aproveitaram a ocasião para retomar Adrianópolis (atual Edirne, na Turquia). A Bulgária viu-se perdida.

No Tratado de Bucareste (agosto de 1913), Grécia e Sérvia dividiram a Macedônia, e a Romênia ganhou parte da Bulgária. A Albânia, que estava sob influência turca, tornou-se um principado muçulmano independente. A nova Grande Sérvia agora representava uma ameaça à Áustria-Hungria. A Rússia prometeu apoiar a Sérvia, e a Alemanha prometeu ajudar à Austria-Hungria. O assassinato do herdeiro do trono austro-húngaro em Sarajevo, em 1914 deu à Áustria-Hungria o pretexto para invadir a Sérvia, levando ao início da Primeira Guerra Mundial, seis meses depois.

Após séculos do surgimento de poderosos impérios que prosperaram buscando domínio sobre continentes, descobrindo novas terras e muitas vezes entrando em conflito com seus concorrentes, as disputas que não foram apenas militares e políticas, mas também econômicas, sobretudo após a expansão do capitalismo e do liberalismo no mundo, culminaram em uma violenta e explosiva guerra de proporções globais.
 

5.3 A ENTRADA DOS EUA NA GUERRA 🇺🇲

Apesar de as tensões de guerra terem sido particularmente mais fortes nos Balcãs e a disputa imperial ter estado majoritariamente dentro da Europa, podemos considerar que a guerra entre EUA e Espanha, embora não tenha contribuído diretamente para que a Primeira Guerra Mundial tenha começado, não pode ser deixada de lado, pois nesta guerra ficou claro que os EUA estavam buscando ser uma grande força não só na economia, mas também buscava de um modo geral, estar entre os grandes impérios, e embora não fosse um império no sentido clássico do termo, estava claramente mostrando ao mundo (sobretudo a Europa), que, apensar de ser uma jovem nação, pretendia ser tão forte quanto os velhos países europeus. Apesar de ter entrado tardiamente na guerra (6 de Abril de 1917), os EUA já eram uma grande potência havia bastante tempo e já estavam auxiliando a Tríplice Entente com armamentos e alimentos em geral, tendo sido a guerra muito vantajosa para a economia do país. O interesse estadunidense estava atrelado aos anseios de expansão da influência do país mundialmente, sobretudo no campo econômico. Aí está mais um fator que faz com que a globalização tenha sido algo de primeira importância para motivar a guerra. A globalização passou a ter então, os EUA como protagonistas tão importantes quanto eram os países ricos europeus.

Como podemos ver, a guerra veio em etapas, mas, de fato, se tornou global porque havia interesses globais em disputa, para além dos já muito relevantes motivos potenciais para casus belli a níveis regionais, que aumentaram em muito as tensões. Disputas diplomáticas, tensões étnicas e religiosas, velhas questões fronteiriças e disputas comerciais (disputas comerciais se estenderam para muito além das fronteiras euroasiáticas).

Império Otomano, o Império Austro-Húngaro, Império Alemão: todos ruíram ao final da guerra. Mesmo do lado vitorioso houve uma enorme mudança: a queda do Czar Nicolau II deu lugar a uma revolução que culminou com o fim do regime monárquico russo, seguida de uma guerra civil que terminou coma vitória dos revolucionários comunistas. Foi o fim de uma etapa da globalização, aonde impérios tinham grande poder sobre vastos territórios. A partir de então, apenas o Império Britânico seguiu com um grande império de proporções mundiais, embora não tenho continuado assim por muito tempo.
Não se pode negar que o caráter global da guerra se deu porque as grandes potências possuíam influência mundial e que os EUA, que entraram depois, também já tinham ambições globais, como veio a se confirmar no pós Segunda Guerra Mundial. Por isto, é relevante dissertar sobre o pós Segunda Guerra Mundial, pois, passadas as duas guerras globais, o que veio a acontecer depois foi uma consequência lógica do que foi o principal objetivo dos conflitos: a hegemonia, o domínio global, baseado em parte em princípios ideológicos modernos, em parte em velhas ideias imperialistas, adaptadas aos tempos atuais.


6 A GUERRA FRIA COMO CONSEQUÊNCIA: GLOBALIZAÇÃO POLARIZADA ☢️

Após a terrível fase que vai de 1914 até 1945, com período da Primeira Guerra Mundial, a crise de 1929, a ascenção dos regimes de Terceira Posição Política (fascismo, nazismo, etc) na década de 30 e Segunda Guerra Mundial, ao invés de vastos impérios com organizações diversas, como era antes de 1914, a chegada da Guerra Fria trouxe uma nova forma de organização de vastos territórios. Organizações não mais imperiais clássicas, e sim baseadas principalmente em 2 modelos republicanos. As formas políticas dos velhos impérios de grande importância com os de Rússia, Turquia e do Reino Unido, por exemplo (embora o Império Britânico não tenha acabado, ficou muito enfraquecido em comparação ao que era antes das duas guerras mundiais), deram lugar as enormes Repúblicas da URSS e China, além da já consolidada Federação que formou os EUA (iniciada em 1776). 

As clássicas civilizações baseadas em princípios religiosos e monárquicos deram lugar definitivamente aos projetos rivais republicanos dos socialistas e dos liberais capitalistas. O mundo entrou, portanto, em uma fase em que as disputas geopolíticas foram centralizadas em ideologias. Explicitaram-se os projetos de dominação global com os projetos globalizantes liberais e comunistas.


7 CONSIDERAÇÕES FINAIS 🗞️

Surgiu, logo após a Primeira Guerra Mundial, a Liga das Nações, em 28 de junho de 1919, extinta oficialmente em 20 de Abril de 1946, dando lugar a ONU (Organização das Nações Unidas), criada oficialmente em 24 de outubro de 1946, após o fim da Segunda Guerra Mundial. 

Algo é certo: por um lado, o velho modelo imperialista e colonialista foi quebrado, ao mesmo tempo em que o modelo padronizado de Estado Nação pós Revolução Francesa parece ter se enfraquecido neste início de Século XXI de tal modo que a atual disputa pela hegemonia global não poderá mais ser travada com os mesmos métodos de diplomacia e de guerra que vigoraram do século XIX até o final do século XX.

Após o final da Segunda Guerra Mundial, a disputa entre URSS x OTAN (EUA e aliados), passa a ser o grande conflito global. As duas superpotências passam a disputar cara centímetro de terra pelo mundo. Seguramente, a disputa, que não era puramente ideológica e militar, era também geopolítica. Se, por um lado, os EUA estavam em grande vantagem por terem saído ilesos internamente após a guerra, sem grandes perdas militares e com território intacto, a URSS contava com a vantagem geopolítica: estava no centro da Eurásia, ocupando a parte conhecida na geopolítica como “heartland”, tendo assim o controle de uma extensão territorial incrivelmente enorme, e estando perto da também devastada Europa, que sob tutela dos EUA, tentava se reerguer da catástrofe da guerra. Desde então, passa a ser uma estratégia da OTAN conter o avanço soviético não somente fora da Eurásia, mas principalmente na “Ilha Mundo”. De fato, os soviéticos estavam empenhados em cercar os EUA de alguma forma (vide questão cubana, por exemplo) e expandir o projeto socialista pelo mundo. Mesmo com o final da Guerra Fria, as mudanças geopolíticas não terminaram.

A solidificação da União Europeia foi uma grande prova de que Estados Nação com dimensões territoriais como França e Alemanha não possuíam mais a força que tinham antes de 1914 para sobreviver em pé de igualdade com países com grandes territórios como EUA e China. O último laço histórico entre as sociedades da Antiguidade , Idade Média e Modernidade parecia ter sido cortado em definitivo e a globalização e os projetos globalistas entraram em uma nova fase. A Revolução Tecnológica e as novas formas de comunicações levaram a disputa pela hegemonia global para um novo patamar. Os ideais globalizantes tecnocráticos de organizações e blocos econômicos internacionais a cada dia se sobrepujam as velhas formas de Estado. 

Sendo assim, pode-se considerar que no atual momento, vê-se um período no qual se pode concluir que existe uma nova ordem global sendo criada, aonde se pode notar não apenas tensões entre “mega” estados, mas também uma grande discussão em torno de Confederações, como a União Europeia, e entre diferentes modelos civilizacionais e diferentes ideologias. 

8 REFERÊNCIAS 🔎

ANDRADE, M. Impérios Coloniais. Parte 1. MONTFORT Associação Cultural. 20--. Disponível em: <http://www.montfort.org.br/bra/veritas/historia/imperios-coloniais-parte-1/> Acesso em: 29 de Mar. de 2020  
Bosnian crisis of 1908. Encyclopaedia Britannica. 20--. Disponível em:< https://www.britannica.com/event/Bosnian-crisis-of-1908>. Acesso em: 20 de Fev. de 2020. 
COTIAS, P. F. A. M. História moderna: da formação do sistema internacional. 1 ed. Rio de Janeiro: SESES, 2017. 80p.
HOBSBAWN, E. J. A Era do Capital -1848 - 1875. 27 ed. Rio de Janeiro/ São Paulo: Paz & Terra, 2017. 515p.
HOBSBAWN, E. J.. A Era dos Impérios - 1875 - 1914. 24 ed. Rio de Janeiro/ São Paul : Paz e Terra, 2017.
STEVENSON, D. 1914 - 1918: A História da Primeira Guerra Mundial - Parte 1 - A Deflagração. São Paulo: Novo Século, 2016.
STEVENSON, D. 1914 - 1918 - A História da Primeira Guerra Mundial - Parte 2: A Escalada. São Paulo: Novo Século, 2016.
TEIXEIRA, L. História do pensamento contemporâneo. Rio de Janeiro: SESES, 2015.











Deu problema no Blogue 🙄


As datas das postagens mudaram. Eu estava editando o blogue, e quando salvei o que eu estava fazendo, as datas das postagens foram todas para o dia 08/10/2022. Como eu não printei os textos com as datas originais de publicação de cada um, não poderei colocar na parte de comentários as datas reais. Mas, basicamente, os textos foram sendo postos desde quando o blogue começou, mas agora parece que postei tudo no mesmo dia, o que não é verdade. Fazer o quê, né?! 😕

De qualquer modo, os textos não foram alterados. Menos mal. É isso. 

A partilha do Brasil

Aqui eu coloquei a posição do presidente Lula em relação ao Foro de São Paulo em dúvida: 08/01/2023 . Mas o teatro do PT não durou muito. Neste ponto, os neocons estavam mesmo certos: Lula não mudou. Mas por outro lado, a partilha do Brasil continua. De qualquer modo, quase toda a classe política está apoiando isso tudo, inclusive parte daqueles qure se dizem patriotas, como os neocons, que, sob o comando de Jair Bolsonaro, aprofundou o processo de entrega do Brasil. 

Aqui, Lula realmente mostra a quem de fato serve: 


Fonte do vídeo: Canal Gov/Reprodução. Corte da UOL (Twitter)

 Lula estava em Havana, para o encontro do G77+China. 

A depois foi pra ONU defender um...


Não existe mais um Brasil como Estado-Nação soberano. Acabou, é lamentável, mas acabou. Agora, é cada Estado ou religão lutar pela sua liberdade antes que o globalismo reparta cada centímetro do território na partilha do Brasil. 
O que está acontecendo no Brasil é análogo a Partilha da África de 1885 (Conferência de Berlim) e o Tratado da Antártida, de 1959 (Washington D.C). É algo que tem elementos dos dois acontecimentos. Se aproxima da questão africana por ser uma partilha das grandes potências em relação a povos que deveriam ser livres, e se aproxima da questão do Pólo Sul, por ser uma divisão de áreas de influência com base em preservação ambiental e argumentos em torno de supostos "interesses em salvar um meio ambiente cuidando de um território que deve ser preservado por toda humanidade". 

Neste ponto o PT é democrático: entrega o Brasil para todos os países interessados e dá preferência pra ONU. Não tem jeito, o Brasil acabou e agora estamos vendo a partilha do país. Mantém-se o mapinha oficial, a bandeira e o hino. Tem até Forças Armadas e caças de alta tecnologia. É uma forma nova de divisão de neocolônias. 
A realidade é bem diferente do que a maioria imagina. 
Se você é contra o globalismo ocidental, você sabe que o Lula é um vendido. Se você é contra o globalismo eurasianista de Rússia e China, você sabe que o Lula é um vendido. Se você entende que os dois caminhos levam para um mesmo fim, então, você entendeu o que mais importa. 

Muitas questões podem ser levantadas a partir de agora. Que cada um tire suas conclusões...

História - república brasileira

Uma aula sobre a Proclamação da República do Brasil - Cláudio Zaidan. Não o admiro e não concordo com as posições dele, mas considero este á...