sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Heavy Metal, fé e eu...

Vou explicar aqui os motivos de eu não me identificar mais como um guitarrista de rock, metal ou de qualquer outro estilo. E porque eu não irei mais tocar em bandas que assim se identifiquem. Também rejeitarei tocar em alguma banda ou grupo que se rotule musicalmente. E porque não sou contra tocar todos os tipos de música moderna.

Comecei a tocar violão em 2003, com 15 anos, em meados de fevereiro. No final do ano, no fim de dezembro, consegui uma guitarra. Larguei o violão e passei a me dedicar para me tornar um guitarrista. Eu escutava blues, rock, hard rock e heavy metal. 
Com o passar do tempo, passei a tocar heavy metal melódico e um pouco de hard rock, sendo que "me encontrei" no metal melódico por volta de 2008, já tendo tocado em uma banda de metal melódico anteriormente. Eu estava totalmente envolvido com a subcultura do metal.
Daí, até a voltar a ser cristão de verdade em outubro de 2012, eu via o metal praticamente como uma religião (no fundo, não entendia o que é religião de verdade). Eu já toquei em várias bandas, vivi e vi tantas situações que, se eu fosse contar tudo, eu teria que escrever um livro e muitas pessoas me chamariam de mentiroso.

 Enfim, a partir do momento em que me tornei cristão de fato, passei a ver as coisas de forma mais racional. Eu conhecia o rock e o metal já com profundidade, e já sabia compor (comecei compor depois de uns 2 anos tocando, apesar de já ter inventado algumas coisas antes). Com o tempo, passei aos poucos a tocar na Igreja, o que me fez ver evoluir um pouco mais como músico e me ajudou a me afastar do submundo do rock/metal. Quando eu fui para o universo metal, eu procurava um "submundo" aonde houvesse mais arte, menos ódio e mais esperanças. Encontrei o oposto disso. Não deve haver na arte um submundo mais hipócrita do que o do metal brasileiro.
 Eu já estava cansado de quase tudo o que o envolve, e eu realmente precisava de um tempo, mas de 2013 até o começo de 2015, eu estive em uma espécie de "período de transição".

De 2015 até meados de 2017, eu toquei na igreja com intensidade, tendo tocado metal poucas vezes, principalmente numa banda de metal/rock cristão que quase não ensaiava, mas os caras são meus amigos e eu gosto deles. Nas missas, eu tocava as músicas que geralmente são tocadas nas missas modernas, que são uma mistura de vários estilos, desde o gregoriano até música popular de inspiração nordestina, por exemplo (hoje sei que algumas coisas claramente são inadequadas para serem tocadas em uma missa). Já nos chamados "grupos de oração" , o que se toca é basicamente música norte-americana moderna: as influências vão do blues ao "jazz-pop", passando, é claro, pela música brasileira moderna. Não posso deixar de dizer que também vi uma hipocrisia gigantesca no meio da música cristã, e isto me desanimou muito, mas muito mesmo. Só que o foco é Deus, e não "o mundo". 
 Nessa época em que eu me dediquei a tocar apenas músicas cristãs (que muitas vezes eram apenas pretensamente cristãs), eu refleti muito e li o máximo que pude sobre a questão que envolve qual tipo de música é adequado aos cristãos. Não há muito material sério a respeito, mas eu encontrei coisas muito interessantes que talvez eu coloque aqui no blogue futuramente. Sobre a questão do que é adequado ou não para se ouvir e tocar, descobri diferentes narrativas e opiniões a respeito do tema. Um lado bem modernista, um mais moderado e um outro radicalmente tradicionalista, tanto dentro do catolicismo, quanto no protestantismo e suas diversas ramificações. Eu realmente busquei (e busco) ser coerente e viver de acordo com o que eu creio, sem ser hipócrita, ao pregar uma coisa e viver outra, nem ser extremista, o que também seria pregar uma coisa e viver outra, já que Jesus Cristo não veio para a Terra para apoiar o famoso "farisaísmo". 

Então... eu me deparei com duas correntes radicais: uma dizia que tocar rock e metal é absolutamente válido e coerente para um cristão, enquanto uma outra não só condena o rock e seus afins, como também condena qualquer tipo de música moderna. E quando eu digo música moderna, não estou falando somente do que foi criado desde o início do século XX, mas também do que foi criado muitas décadas antes. 
Eu realmente percebi que o lado mais "tradicionalista" acaba por tratar a música como uma espécie de ciência exata, o que para mim parece ser bem contraditório, já que a música é a mais complexa das artes, possuindo elementos relativos, tanto no que diz respeito as próprias estruturas básicas musicais, tanto no que diz respeito as questões que envolvem os efeitos da música na fisiologia e na alma humana de um modo geral, para além, é claro, do que envolve as percepções de cada indivíduo em seu contexto pessoal e social. 
Não foi difícil para mim perceber que a corrente mais "modernista" estava absolutamente equivocada. Os motivos são bem óbvios e eu acredito que não é necessário me aprofundar neste ponto, já que nenhuma pessoa coerente irá discordar de que, para uma pessoa cristã, ouvir bandas cujas temáticas são claramente anti-cristãs é de uma hipocrisia gritante. Mesmo em termos de estilo: é totalmente ridículo defender que seja possível, por exemplo, que uma banda cristã se utilize do death metal para evangelizar ou falar sobre a Bíblia, só para citar um caso. Não dá pra defender isto sem passar vergonha.
Sobrou pra mim a corrente moderada. Mas esta corrente não é unívoca. Basicamente, sob este ponto de vista, não é errado ouvir este ou aquele estilo, mas é errado ouvir músicas com letras e/ou ritmos inadequados para cristãos. A questão é que é possível argumentar que alguns estilos são intrinsecamente maus, por causa de suas próprias bases musicais. Aí poderíamos colocar o rock e suas variações. Ora, mas o que é rock? Hoje em dia, quase todas as bandas são chamadas de bandas de rock. Gosto da seguinte classificação: para ser rock, precisa de ter os elementos básicos do estilo, e uma música não é rock se não for dançante e não tiver algum tipo de elemento sensual, fortemente sensorial (em um sentido clássico do termo). Dos anos 50 até meados dos 60, podemos dizer que foi criado o "rock clássico", e posso afirmar, sem dúvida, que quase tudo o que as bandas mais famosas fizeram é inapropriado para cristãos. A partir do final dos anos 60, surge o hard rock e o rock progressivo. Daí as coisas ficam mais complicadas de serem definidas, porque a variedade de músicas aumentou muito. E então veio o heavy metal. Aí eu penso que tudo mudou de vez. Não digo que por causa do visual do metal, já que não há nada de satânico em usar roupa preta e uma cruz no pescoço. Pelo contrário. Eu me refiro a questões puramente musicais. Aquele rock dançante e de forte conotação sexual deu lugar para músicas realmente diferentes, com forte influência, inclusive, da música clássica e até do canto gregoriano em linhas vocais. A questão da influência ocultista e/ou satanista já existia não só no rock, mas também em outros estilos, então não se pode dizer que o metal "trouxe o satanismo para o mainstream musical". Tem outra coisa: a maioria dos músicos do "mainstream" veio de ambientes musicais religiosos, em igrejas, ou seja, foram formados por músicos cristãos e tocando músicas cristãs. Sou contra ficar criando abismos entre as pessoas. 
Qualquer pessoa honesta que tenha estudado sobre as músicas dos Beatles, por exemplo, que foi a primeira realmente grande banda de rock e a mais famosa do história, sabe que grande parte de suas músicas tinham de fato temas ocultistas e que qualquer forma de ocultismo é incompatível com qualquer forma pretensamente séria de cristianismo.
Quem nega isto, nega ou por ignorância, ou por desonestidade, mesmo. 

Pois bem, vamos lá polemizar:
 Eu acho que a música War Pigs, do Black Sabbath não é uma música inadequada, por exemplo. Instrumentalmente, não há nada de satânico ali. A música fala sobre guerra e não se pode esperar melodias e harmonias bonitinhas quando se está criticando a hipocrisia e a sujeira das guerras. Há motivos para esta música ser como ela é. É uma música absolutamente coerente. Não vejo problemas em se apreciar War Pigs. Não há nada sensualizado ali. Nada no ritmo nem na letra que possa levar alguém a admirar algo ruim ou a cometer algum pecado. Bom, se eu estiver errado, alguém me corrija...
Também não estou afirmando que Black Sabbath é no geral uma banda adequada ou não. Me referi a música War Pigs.
Eu quis dar este exemplo para dizer que, a partir de determinada época lá nos anos 70, a divisão entre estilos musicais modernos passou a ser incoerente, mais uma forma de a indústria fonográfica classificar padrões para ganhar dinheiro, ou até mesmo mais uma forma de instrumentalizar a música com propósitos ideológicos do que uma forma correta de se determinar estilos musicais.. Aí entra também velha briga burra entre direita X esquerda: "follow the money".
 Outra música famosa é Stairway To Heaven. Essa aí sim é gnose pura, portanto inapropriada para cristãos. Aliás, cristãos que conhecem realmente o Led Zeppelin, não escutam Led Zeppelin. E ponto. Não importa qual seja o ritmo, quando a banda é claramente gnóstica, não há como defendê-la, e eu realmente não me importo em ser chamado de fanático religioso por dizer isto. Sou apenas coerente. A verdade é que grande parte, senão a maioria das bandas deste meio rock/hard/metal são anti-cristãs. Eu disse a maioria. Algumas por intensão, outras não. Algumas são claramente satanistas e/ou ocultistas, outras são ateísta e outras hedonistas. 

Eu realmente sofri para chegar em um bom termo, e cheguei a algumas conclusões que provavelmente irritarão "gregos e troianos": 
Não é toda música moderna que é inapropriada. Estamos em 2021, e eu percebi com o tempo que tanto os mais conservadores quanto os mais progressistas geralmente são uns chatos querendo mandar nos outros. Não há consenso científico em relação a todos os efeitos de uma música na mente humana, pois ainda houvessem duas pessoas exatamente iguais no mundo vivendo no mesmo local, com a mesma cultura, etc, eles teriam uma visão musical diferente uma da outra, e uma mesma música teria um efeito diferente em cada pessoa. Se você escuta uma música pela primeira vez quando está com sono pela manhã, seu corpo terá uma reação. Se você ouve a mesma música pela primeira vez de noite, por exemplo,a reação é outra. E o que dizer sobre a experiência musical de cada um durante sua vida? Obviamente que certos ritmos e músicas possuem certos efeitos que não mudam, mas só pelo exemplo que dei, considerando o universo de possibilidades que existem no que diz respeito a tudo o que a música nos causa, já se pode concluir que não se deve generalizar tudo, pois há tantos fatores a serem considerados, tanto em relação as próprias músicas e estilos quanto em relação as pessoas e culturas, que fica impossível fazer uma espécie de julgamento final em relação a tudo o que existe de estilos e músicas no mundo. 
É inegável que se pode fazer um bom trabalho de evangelização cristã com o que se chama hoje de "rock" ou "metal", e é inegável que algumas bandas ajudam muito neste trabalho de levar a paz e a alegria para os cristãos mundo afora. O que não se pode é usar certos ritmos e estilos que não edificam ninguém. Há o fator relativo, mas há o fator exato, inequívoco. 
Eu não tenho dúvidas de que um metal cristão, com som pesado, pode fazer uma pessoa refletir sobre a violência, por exemplo, ou então, por exemplo, um metal épico falando sobre as grandes histórias do Velho Testamento ou do Apocalipse pode ser muito edificante e animador para quem escuta, enquanto algumas dessas músicas tocadas em grupos de oração da RCC (Renovação Católica Carismática) e várias comunidades protestantes/envangélicas são sensuais (não estou falando exatamente no sentido sexual da palavra) e não edificam ninguém em nada. Aliás, o sentimentalismo religioso só faz mal. Uma coisa é uma música mais sentimental em algum momento apropriado para isso, outra coisa é uma hora deste sentimentalismo barato que se vê em tantos grupos de oração. Uma coisa é uma música alegre com ritmo de dança (na própria Bíblia fala-se de dança), outra coisa é transformar um show em uma bagunça total...Só estou dando alguns exemplos. Podemos pensar no volume adequado para se escutar uma música, por exemplo. Uma mesma música, com o mesmo tom, sendo tocada com alguma sétima desnecessária, ou com a bateria alta, pode colocar tudo por água abaixo em um momento de oração, e as pessoas presentes sequer perceberão na hora. Mas os efeitos estarão em suas mentes. Música é algo muito sério.
Eu finalizo dizendo que cada caso é um caso: o mais importante é ter discernimento e estudar o possível para não tocar coisas inadequadas, pois um cristão não pode dar um mal testemunho, ao mesmo tempo em que se deve fazer como fez São Paulo Apóstolo, quando "entrou no mundo" para levar o amor de Cristo para as pessoas, e não cedeu ao mal e ainda por cima viveu para o próximo, na humildade...
Existe um setor eclesial com mais egocentrismo do que o setor musical? Duvido que exista...
Acredito então, ser possível ter uma banda de música moderna, sem rótulos classificatórios, com foco nas coisas de Deus, na evangelização e ensinamento das coisas boas. Mas também é possível ter uma banda que não seja exatamente uma banda focada em evangelização ou histórias bíblicas, mas que seja uma banda "secular" que tenha uma mensagem boa e que faça bem para os fãs da banda. Isso é bem bacana, pois mostra que não podemos ficar dividindo as pessoas como se fossem mercadorias em um supermercado Eu mesmo só tocarei em uma banda se esta banda não for "mundana". O mundo está cada dia mais caótico e eu não quero usar a música para piorar tudo. Pelo contrário, quero melhorar. É um assunto enorme, e eu não quero transformar este texto em uma autobiografia ou livro de crítica muscial. Até porque não me vejo capacitado para isto. 
Eu vivi muitas coisas na música, mas uma coisa que eu aprendi muito importante eu quero compartilhar aqui:

Antes, meu sonho era ter uma boa banda e gravar um bom CD, além de fazer shows e conseguir, é claro, bons equipamentos para tocar. Mas depois que passei a tocar na Igreja, eu já havia desistido disso, mas tinha um vazio em mim. Com o tempo, este vazio foi preenchido quando percebi que tocar em uma Missa, uma única vez, é mais importante do que gravar qualquer CD ou fazer qualquer show. Tocar em um grupo de oração (da forma correta, em um ambiente correto) é mais importante do que ter um vídeo-clipe com milhares de visualizações no YouTube. Saber que o que toquei em um momento de oração ajudou a tirar alguém da depressão, ajudou aliviar a tristeza ou simplesmente fez alguém pensar em Deus, é mais gratificante do que os prêmios que o mundo dá para os músicos em geral. Ainda quero gravar, ter uma banda, mas não tenho mais este vazio causado pela frustração de depender das pessoas para realizar um sonho, pois eu aprendi que não há nada mais gratificante do que fazer a coisa certa, mesmo no anonimato, o que é bem legal. Você não precisa de ser reconhecido (a) pelas pessoas. Basta ter a paz de Deus no coração e aquela sensação de dever cumprido no final. 

O que você faz na vida, ecoa na eternidade.

Eu gostava muito dessa guitarra e toquei com ela por uns 6 anos, mas em um dia muito triste e com ela já bem gasta (Não seria caro arrumar...) e eu sem grana nenhuma, acabei vendendo ela quase de graça e até hoje sinto saudades...
Espero ter ajudado alguém com minhas palavras. 

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