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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O Ocidente e a Nova República de 1988



Brasileiros não são ocidentais 👍🏻

A Nova República 📜

Desde 1988, data do início da chamada Nova República, com a nova constituição, se alimentou no Brasil a ideia de que o país entraria de vez no concerto das nações de primeiro mundo, como candidato a grande potência, já que o Brasil passou a ter uma constituição que segue os padrões aceitos pelo chamado "mundo ocidental", liderado principalmente pelos EUA e União Europeia. A Constituição brasileira de 1988 é indiscutivelmente social democrata. A constituição de orientação social democrata (não é a social-democracia marxista!), segue uma linha semelhante em muitos aspectos as constituições dos países do chamado "bloco Ocidental", com democracia nos moldes liberais e uma estrutura de Estado de forte inspiração social democrata e com aspectos socialistas (não-marxista). Possui uma forte influência socialista na questão do trato à propriedade privada, quando diz que a propriedade privada deve atender a "função social", por exemplo. Algo dúbio, no mínimo, mas quando se estuda a Revolução  Francesa, percebe-se que muito do que inspirou os comunistas veio de lá, mesmo. Obviamente não estou falando só do socialismo de inspiração marxista e/ou soviética, mas também de um socialismo com inspirações no socialismo francês, que os marxistas chamam de "socialismo utópico", e que também possui influências positivistas, que influenciaram a social democracia europeia, tão amada por alguns intelectuais da chamada grande mídia brsileira.

 O que teoricamente tinha tudo para trazer certa estabilidade, no que diz respeito a posição do Brasil no concerto das nações e em termos econômicos (afinal, o Brasil estava entrando em total consonância com o Ocidente), com o passar do tempo, foi se tornando em um grande problema, por motivos variados. 

Há muitos defeitos na atual constituição. De qualquer modo, é óbvio que a atual constituição do Brasil não é a pior, e eu a considero a melhor (ou menos pior) desde que a constituição do Brasil Império que foi acabada pelo golpe militar de 1889. A do Brasil imperial foi a melhorzinha quando acabou a escravidão, mas não durou quase nada depois. Desde a Proclamação da República, o Brasil só foi ter uma constituição mais sólida em 1988, apesar dos pesares.

Nasci em 1987 e posso afirmar por experiência própria, que o Brasil dos anos 90, se não fosse pela questão da violência que assolou (e ainda assola) o país, seguramente teria sido o melhor período da história do Brasil, pensando em termos econômicos e sociais básicos. Ora, era um Brasil com uma economia melhorando, com uma moeda estável, mais aberto economicamente e sem riscos de guerra civil ou grave crise social. A pobreza diminuiu, a população passou a ter maior poder econômico e o Brasil de fato "entrou" no mapa-mundi da economia.
Foram breves anos de esperança e liberdade (liberdade que se converteu em libertinagem, pois o povo não soube usar a liberdade da forma correta, diga-se de passagem 🙁). 

Então, reforço aqui que o advento da Nova República realmente ajudou no desenvolvimento econômico do Brasil em muitos aspectos, e o Brasil já era tido como um país estável  (para os padrões da visão do atual Ocidente, ao menos dentro de uma visão mais generalizada) e em franca expansão. Para um país que não faz parte do Ocidente, já é um avanço, posto que o Ocidente, apesar de sua decadência civilizacional, ainda é majoritariamente próspero. 

 Mas cada país, cada sociedade, cada região, possui suas particularidades, e não existe uma fórmula mágica ou algo do tipo para que uma nação cresça social e economicamente. Se por um lado, internacionalmente, o Brasil ganhou respeito e relevância, por um outro lado, alguns aspectos pioraram. A violência cresceu absurdamente, mas a corrupção política brasileira, provavelmente abafada nos tempos da ditadura militar, passou a ser mais aberta na Nova República. Forças claramente mafiosas vieram à tona em todos os setores da sociedade: em setores econômicos, do sistema educacional, midiático e em diversos grupos religiosos. Na época da ditadura militar isso era obviamente abafado. Vale muito a pena estudar sobre o Brasil dos anos 90!

Atualmente, é fácil constatar que o "sonho noventista" acabou. A Nova República só existe na teoria, pois o que se tem hoje, nada mais é do que um país de mentira, definitivamente se tornou colônia dos países poderosos e a cada dia é mais humilhado perante o restante do mundo. 
O Brasil tentou ser parte do Ocidente em 1988 com uma receita teoricamente infalível. Deu errado. 

Não, não somos ocidentais e não há problemas nisso. O problema é não ser mais nada, além de neocolônia. E desta vez, não somente dos europeus e dos EUA, mas também da China e de quem mais quiser, de quem mais vier...






 






A URSS foi uma paródia do Império Bizantino

Não se pode entender uma revolução sem uma compreensão mínima da sociedade na qual a revolução ocorreu. Também não é possível criar uma sociedade do zero. 

A URSS foi uma paródia do Império Bizantino. Não somente em tentar unificar o maior território possível do que foi outrora território bizantino russo, ou de algum outro povo tradicional, mas também na questão simbólica. As próprias cores da bandeira soviética demonstram que o ideário marxista só consegue se manter através do vampirismo simbólico: 

Bandeira soviética ☝️

O socialismo marxista é uma espécie de tentativa de criação de um paraíso na Terra, e isso é claramente uma tentativa de transformar a visão dos milenarismos heréticos cristãos em um novo milenarismo, puramente materialista e ateu. Marx utilizou conceitos da dialética de Hegel, de modo a materializar ao máximo a já confusa visão hegeliana (tese, antítese e síntese) de tal forma, que toda a filosofia anterior à marxista, pareça apenas um apêndice para o trabalho do próprio Karl Marx. A prepotência da filosofia de Marx não podia ser maior. 
Do lado mais liberal-cientificista, Auguste Comte fez algo semelhante em alguns aspectos, quando propôs uma "nova religião", com base na ciência empírica e na sociologia. Foi o positivismo, cujo lema está na bandeira do Brasil. Mas Marx desceu muito mais o nível, propondo a sua "ditadura do proletariado", que deve ser instaurada, mas não sem antes espalhar uma visão social que literalmente opõe grupos humanos (proletários e burgueses), coisa que Comte nunca defendeu. Entre os dois, Comte foi mais coerente, pois, apesar de estar errado, ele foi honesto consigo mesmo ao pelo menos respeitar os próprios conceitos científicos que ele seguia. Marx não fez isso. Na verdade, o pai do "socialismo científico" fez da confusão o seu método. 

Se as bases filosóficas estão corrompidas, é óbvio que a simbologia não poderia ser sã. Não tendo uma verdadeira base metafísica, a filosofia marxista apenas consegue copiar símbolos alheios de modo a criar uma paródia bizarra daquilo que pretende imitar. 

Em um projeto de nação, é óbvio que a sua bandeira, os seus símbolos políticos públicos, sua simbologia hierárquica e toda a sua cultura, devem estar em consonância com determinados valores populares e também com os seus objetivos mais elevados, além de não rejeitar as simplicidades de um povo (ou de vários povos que estejam dentre da civlização em questão). Ora, o marxismo, sem alma, precisa emular algo. Quando adentra uma sociedade e toma o poder, a visão marxista de realidade precisa literalmente roubar os símbolos tradicionais da sociedade e simplesmente mudar algo neles para parecer que surgiu alguma coisa original. Símbolos relacionados ao trabalho são abundantes na história: neste ponto, é relativamente fácil. Se os marxistas queriam tomar o lugar dos cristãos ortodoxos (e tomaram o poder, e não o espírito), eles precisavam enganar o povo, mantendo determinadas cores. Não há coincidências aqui. 

Bandeira do Império Bizantino ☝️

A história dos séculos XIX e XX provaram que sociedades criadas em laboratórios sociológicos não são possíveis. Os projetos utópicos fracassaram e produziram distopias pelo mundo. Não foi só o marxismo: nazismo, fascismo e afins também fracassaram retumbantemente. Todos não deixam de ser filhos rejeitados pelo liberalismo, que, apesar de possuir menos ideias utópicas, não deixa de ser, em muitos aspectos, uma paródia das próprias sociedades nas quais prosperou, pregando sempre uma utopia que nunca será alcançada, gerando pessoas insatisfeitas dispostas a apoiar até as loucuras soviéticas. Não foi à toa que parte do grande capital liberal transnacional sempre colaborou de várias formas com as ditaduras socialistas mundo a fora. 

O Liberalismo e o paganismo greco-romano


Para Santo Agostinho, existem duas grandes cidades: a de Deus e a dos homens. Quero falar um pouco sobre a segunda cidade acima citada. 

A Cidade dos Homens, é a cidade aonde o ser humano é posto no centro de tudo. É a idolatria ao ser humano e o desprezo às coisas de Deus. 
É exatamente o que prega o liberalismo: o ser humano como o centro de tudo.  
Desde a antiguidade, essa visão de mundo já existia. Com o tempo, foi se aperfeiçoando. 

O "culto ao Estado laico" é um dos dois pilares do pensamentos liberal (um outro é o culto ao dinheiro), que, desprezando Deus, dá espaço para qualquer outra visão de mundo se infiltrar na sociedade. Assim, muitas vezes, essas visões acabam tomando conta das mentes e terminam por destruir o próprio Liberalismo. É óbvio: se uma sociedade deve abandonar a Deus, com a desculpa de que só em um Estado laico pode haver liberdade, então porquê não se pode abandonar o próprio Liberalismo, que é relativista? Se existe socialismo, fascismo e outros "ismos", é porque antes existiu o Liberalismo. Sem ele, estes outros "ismos" não teriam nascido. É verdade que, no decorrer da história sempre houveram sociedades mais individualistas e outras mais coletivistas; umas mais tolerantes aos estrangeiros e a diversidade e outras mais fechadas em si mesmas, mas, projetos de sociedades feitas como se fossem produtos fabricados em indústrias, só foram possíveis após a mentalidade liberal ter sido estabelecida entre nações mundo afora. É a Cidade dos Homens em sua forma mais real: envolta em vaidades e pronta para as divisões. 

Não gosto do liberalismo, mas entendo que o liberalismo gera mais riqueza do que qualquer forma de socialismo. Só que não nego que gera injustiças terríveis, também. Sei que socialismo não é sinônimo de marxismo e que pode sim dar relativamente certo em termos de desenvolvimento social e estabilidade política algumas de suas vertentes, mas também desprezo o estatismo exagerado e o igualmente exagerado igualitarismo socialista. Não dá pra dizer, por exemplo, que a Iugoslávia socialista fracassou enquanto existiu, principalmente se formos comparar com o que se tornou o Brasil, por exemplo. Obviamente não sou admirador do extinto regime iugoslavo (até porquê, no final das contas, a Iugoslávia acabou, fracassou). Da mesma forma que eu não defendo o liberalismo, eu não defendo os socialismos. Já o nacionalismo, que pode ser liberal ou socialista, tem origens liberais, e há nessa visão política uma certa idolatria. Não sou nacionalista. Já o patriotismo, como uma forma de cuidado social, pode ser algo bom. 

É incrível perceber que criticar e rejeitar a visão da "democracia liberal"  é praticamente um crime dentro da chamada "grande mídia", como se só fosse possível existir democracia no liberalismo e/ou na social-democracia. Seus defensores, aos serem questionados, chegam a ficar histéricos. Mas isso não me espanta, pois, quem já estudou um pouco de história, sabe como o liberalismo se tornou o "padrão de visão social correta": na base da violência. Se os liberais de hoje em dia não são violentos como os de antigamente, é porquê eles já são os "donos do sistema". Eles não precisam mais queimar igrejas ou abolir títulos de nobreza (bom, os liberais ingleses conseguiram maquiar as coisas, mas aquilo não é admirável, pra mim), pois as ideias liberais são o padrão atual de quase tudo que é chamado de bom em termos políticos. Não, eu não ignoro a força dos marxistas na mídia, mas aí entramos em outro tema. De qualquer modo, não há um abismo entre um liberal e um socialista. Eles se odeiam, mas raramente brigam de fato (guerra). Os liberais fingem que tudo vai melhorar, enquanto os comunistas/socialistas juram que só haverá paz e bem quando eles dominarem tudo. Os fascistas e afins vivem em um mundo paralelo de um paganismo gigantesco, dando murros em ponta de faca e sendo sempre derrotadas no final. Misturam antiguidade com futurismo e fracassam sempre. E o pior é que muitos deles juram estar ao lado do cristianismo. Estão errados. Não sou obrigado a escolher um lado. 

Na verdade, tanto o liberalismo quanto os "socialismos" podem dar certo ou não (segundo certos padrões humanistas de desenvolvimento), dependendo da sociedade e do contexto histórico. Só a Terceira Posição Política com suas vertentes e tudo que é voltado ao marxismo é que sempre fracassa, cedo ou tarde. 
No final das contas, o liberalismo se apresenta, na verdade, como algo provisório, uma transição para o velho paganismo romano em uma versão provisoriamente laica. Quando uma visão religiosa se enfraquece em uma sociedade, outras visões irão tomar este espaço. É algo difícil de explicar para um laicista.

 As simbologias das revoluções liberais são sempre baseadas no velho mundo greco-romano. Qual arquitetura foi a base das construções de Estado nos EUA? qual simbologia é usada em quase tudo o que é oficial na estrutura de Estado dos EUA? Acaso a organização mais influente na construção dos EUA como país não foi a Maçonaria? E na França? Sim, a simbologia pagã predomina na República Francesa (Napoleão que o diga). Em relação à valores, não há muitas diferenças, também.  O mundo liberal-moderno nada mais é do que uma versão atualizada do velho mundo greco-romano pagão, com algumas influências de outras velhas civilizações, como da egípcia, e sem a escravidão explícita. Agora,estamos em um contexto pós -moderno, aonde o hedonismo e o relativismo ganham cada vez mais força. A consequência lógica é a dissolução social. E, como não existe vazio de poder e ausência total de ordem, já era de se esperar que o liberalismo fosse entrar em algo análogo a uma crise existencial.

Pra mim, isso é claro como a luz do dia e às vezes é tedioso ter que explicar isso para liberais em geral. Só explico com parcimônia e alegria, para os leigos e para os estudantes, geralmente mais jovens. O liberal médio é um neopagão que pensa ser isento de "visões arcaicas". 



sábado, 8 de outubro de 2022

História - república brasileira

Uma aula sobre a Proclamação da República do Brasil - Cláudio Zaidan. Não o admiro e não concordo com as posições dele, mas considero este á...