Nos últimos anos, além dos extremismos de esquerda, aumentaram também os extremismos de direita. No dia 7 de Setembro de 2021, milhares de apoiadores de Jair Bolsonaro foram às nas ruas, principalmente em Brasília e em São Paulo. Muitos esperavam uma tentativa clara de "autogolpe" da parte do governo e de seus apoiadores, mas nada demais aconteceu. Na verdade, as manifestações se mostraram menores do que o esperado por todos. Publiquei este texto originalmente quando Bolsonaro ainda era presidente.
Obs.: Como esitei alguns erros posteriormente, a data original da postagem se perdeu.
Agora, vamos lá:
O neoconservadorismo original nasceu nos EUA, a partir de Irvin Kristol (⭐1920 - ✝️2009), um intelectual escritor e jornalista nascido em Nova Iorque, filho de imigrantes judeus do leste europeu. Ele era socialista (trotskista), depois tornou-se adepto do liberalismo, ligando-se ao Partido Democrata. Depois, tornou-se republicano, e finalmente criou o movimento neoconservador, que diverge do liberal-conservadorismo "clássico" dos EUA por defender uma postura mais neoimperialista na política externa dos EUA e por defender um Estado mais forte. Os neocons também são considerados pelos socialistas em geral como "neoliberais" na economia. No Brasil, o principal intelectual responsável por espalhar as ideias neocons foi o perenialista Olavo de Carvalho.
Leia: O que é perenialismo .
Uma das características mais marcantes da "neodireita" brasileira é mesmo a idolatria pelos EUA 🇺🇲 e por Israel 🇮🇱. No "combo neocon brazuca", não pode ficar de fora o famoso "sionismo" dos "pentecostais". Este tema é complexo, até porquê existe muita confusão em relação ao sionismo, ao nacionalismo judaico, e as questões religiosas e escatológicas que envolvem Israel e a cristandade. O problema dos neocons brasileiros aí não é apoiar Israel ou não. O problema é a idolatria, que é vexatória.
A maioria dos autoproclamados "liberais-conservadores" do Brasil imitam a todo custo os neconservadores originais, grupo que geralmente despreza o Brasil e os demais países da América do Sul. Analisando friamente o atual cenário da neodireita, que apoia Bolsonaro, eu concluo sem medo de estar errado que este grupo nada mais é do que uma cópia fracassada do neoconservadorismo dos EUA. Na verdade, esses neocons brazucas na maioria das vezes, agem como se o Brasil fosse apenas um lixo social. Elas querem acabar com tudo que é ou pode ser chamado de "brasileiro" que não esteja alinhado a uma postura subserviente quase que doentia em favor dos EUA e de Israel. Para essa turma, o Brasil tem que ser uma espécie de neocolônia dos EUA, uma imitação pessimamente feita do que eles acham que é o melhor para a humanidade, tentando imitar a todo custo tudo que vem da direita ou da extrema direita dos EUA (essa gente não sabe distinguir direita de extrema direita, e nem sabe o que é conservadorismo). Conseguem ser tão ridículos ou mais do que aqueles petistas e comunistas mais iludidos, que sonham em ver o Brasil como uma réplica gigante de Cuba. E por falar em Cuba, não dá pra deixar de falar no anticomunismo irracional, o "macartismo". É claro que os neocons brazucas tem razão em combater o comunismo, uma ideologia radical e agressiva, mas o fazem de modo tão ridículo, que acabam, em muitos momentos, ajudando a militância comunista, que os coloca como loucos (com certa razão), e acabam por deixar a imagem do comunismo mais "leve". Além do mais, pregar o fuzilamento de petistas, como já pregou Jair Bolsonaro, é algo totalmente errado.
Chegamos ao ponto de termos um presidente totalmente subserviente aos interesses dos EUA no Brasil. A não ser que esteja fazendo um grande teatro para conseguir apoio dos EUA fingindo ser subserviente, tendo alguma estratégia nacionalista por trás (o que eu realmente duvido), o presidente da república do Brasil age como um empregado dos republicanos dos EUA, infelizmente. Há quem diga que o que Bolsonaro faz é apenas demonstrar apoio e simpatia pelos republicanos dos EUA, mas fazer isto desta forma já é um exagero total.
Bom, a situação é bem séria, e, embora eu goste de brincar um pouco para tornar o tema menos pesado, não dá pra ignorar a seriedade do que está a se passar no nosso país. A verdade é que essa mistura bizarra de neocons e outras correntes, tendo até alguns neofascistas (sim, conseguiram juntar pessoas pró Israel e neofascistas em um mesmo balaio eleitoral no Brasil), não poderia mesmo terminar em algo bom para a política nacional.
Essa mistura de pentecostais que querem esmagar católicos, com católicos que ignoram isso tudo e apoiam os neocons brazucas (sim, há muitos brasileiros católicos neoconservadores), está gerando aquilo que se espera de um ajuntamento tão caótico assim: mais e mais brigas, mais e mais instabilidade social e mais e mais confusão política. Obs.: nos EUA há também neocons católicos, mas o movimento por lá é mais coeso por conta do nacionalismo. Os neconservadores originais (os dos EUA, é claro) são focados no nacionalismo pró-EUA, e não na religião. No Brasil, as coisas são bem mais confusas.
Geralmente, os líderes neocons brasileiros são maçons, protestantes, neopentecostais e afins que odeiam e desprezam as origens católicas do Brasil e colocam toda a culpa dos fracassos brasileiros na religião católica e ás vezes até na mestiçagem racial, ao mesmo tempo em que exaltam até os pontos mais negativos da sociedade estadunidense, desde que seja para humilhar tudo que é do Brasil. É óbvio que não dá pra levar a sério quem tem um discurso desse. Até os maiores erros dos "neocons originais" são exaltados pelos neocons brazucas.
Não precisamos estudar muito para observarmos que não é a prática do catolicismo ou do protestantismo que irá levar riqueza para uma nação, nem dá pra levar a sério quem não enxerga, por exemplo, que a parte mais rica da Alemanha, e por consequência, da Europa, a Baviera, é uma região historicamente de maioria de população católica. Isto sem falar na França, aonde o norte, mais católico, sempre foi mais poderoso financeiramente do que o sul, que tem uma considerável parcela da população de origens protestantes. Em suma, afirmar que uma nação é mais rica ou próspera do que a outra porque é católica ou protestante, é um equívoco terrível. É o mesmo que dizer que Hitler só subiu ao poder na Alemanha porque os protestantes quiseram, como se grande parte dos católicos alemães não tivessem apoiado o nazismo, assim como grande parte da Itália, quase que toda católica, não tivesse colocado Mussolini no poder. O mundo é muito, mas muito mais complexo do que pensam esses iludidos necons do Brasil, que nada sabem sobre o Brasil, sobre os EUA, nem sobre quase nada em suas vidas. São aqueles que, ao terem uma oportunidade de conhecer os EUA, vão direto pra Flórida tirar fotos com o Mickey na Disney, ao invés de irem conhecer o que tem de bom nos EUA, tanto em termos de natureza, quanto em termos de turismo histórico.
Um fato é que as duas outras grandes correntes ideológicas que existem no país, o grupo do globalismo (e os sociais democratas em geral - as pautas dos sociais democratas e globalistas são bem parecidas em vários aspectos) que imita o partido democrata dos EUA, e o socialismo vermelho liderado pelo PT, saem fortalecidos nisso tudo. E não se enganem: o PT e suas ramificações são contra o "globalismo dos democratas". Quem entendeu o que aconteceu no Brasil entre 2013 e 2016 (período de derrocada e queda do governo da Dilma), sabe que foi justamente o governo democrata de Obama que ajudou a derrubar o PT com a ajuda de seus empregados e apoiadores no Brasil, sobretudo a Rede Globo e o PSDB.
Não quero deixar de lembrar que houve também uma forte participação de diversos militares brasileiros, também. Aliás, o PT, enquanto esteve no poder, fez o possível para aparelhar o Estado (e assim o fez em grande medida) e criar a sua própria ditadura neosocialista.
Sobre os militares:
Não considero o grupo chamado "Partido Militar" como uma teoria conspiratória. Concordo, ao menos, em partes, que de fato existe uma espécie de partido político não oficial formado por vários altos comandantes da ativa e da reserva que realmente influencia bastante a política brasileira. Não seria loucura dizer que existe uma quarta força política, mas eu prefiro não afirmar isto, pois considero que em qualquer sociedade, o poder militar acaba influenciando na política de algum modo. É óbvio que em qualquer país o poder militar é um dos principais poderes sociais, mas afirmar que existe um "partido militar oculto", é cair no conspiracionismo.
No Brasil, os militares possuem mais poder do que deveriam ou poderia ter, na minha opinião, mas ainda assim, acho um pouco exagerado colocar o "Partido Militar" como uma força política unificada. E é claro: o PT não consegui impor a sua ditadura porque não tinha apoio militar para isto e não teve força miditática suficiente. O resto, é história.
Eu sempre digo que o PSDB é a versão brasileira do Partido Democrata dos EUA e que a Globo é de fato a versão brasileira da CNN, jornalisticamente falando Agora, veja o "print" de algo curioso:
Aí está. Faz parte do jogo político, está tudo às claras. E se a Rede Globo é democrata, a Rede Record e Jovem Pan estão do lado republicano.
Então, eu afirmo que, sem dúvida alguma, o que as elites políticas e econômicas do Brasil mais fazem é tentar imitar as elites políticas e econômicas dos EUA e da Europa. A diferença entre o grupo que gira em torno do Tucanistão e o novo grupo da chamada "nova direita" é que o Tucanistão conseguiu de fato impor uma versão brasileira do que chamarei aqui de "visão de mundo do Partido Democrata dos EUA", enquanto os candidatos a "republicanos do Brasil", estão ainda se fortalecendo.
Eu realmente acreditei por um tempo que havia uma grande chance de o Brasil afundar no caos social e talvez até entrar em um processo de divisão social irreversível, mas analisando as coisas hoje, vejo que tudo indica que "apenas" seguiremos piorando, mas que nem tudo é tragédia, pois apesar de suas fragilidades, o Brasil insiste em resistir como país. 🇧🇷
Já repararam como existem semelhanças entre bolsonaristas e lulistas, em geral? A teoria da ferradura ideológica faz muito sentido, neste caso:
Esquerda e direita tendem a ficar mais parecidas conforme vão indo para seus extremos.
Até o movimento movimento monarquista brasileiro acabou "caindo" nas mãos dos neoconservadores.
Este texto fala sobre os neocons, com foco no sionismo: O jogo triplo dos neoconservadores
Enfim: como os neocons daqui são uma cópia, eles não possuem um projeto para o Brasil que não seja a subserviência à Washington, o que é bem contraditório para um grupo que se coloca como patriota, né!?. Deixarão de ser uma cópia? Duvido.