Neste texto: neoimperialismo eu falei um pouco sobre imperialismo e neoimperialismo. Citei o Império Britânico, mas creio que faltou acrescentar algo importante: ao contrário dos EUA, que jamais praticaram um modelo de império clássico, o Reino Unido colonizou várias regiões com populações britânicas, sobretudo na América do Norte. Como o texto foi focado no neoimperialismo, eu não falei muito do período dos impérios europeus a partir do Século XVI. O Império Britânico deve ser analisado não só sob a ótica do neoimperialismo, pois o Império Britânico se formou bem antes disso, estando inserido no contexto das grandes navegações. Então, justiça seja feita: os britânicos atravessaram os dois grandes períodos de expansão européia estando sempre entre as maiores potências. Ou seja: se por um lado, no período neocolonial Londres não fez o que os impérios tradicionais fizeram, no período colonial "clássico", houve grande imigração britânica e contribuição cultural, principalmente quando o assunto é América. Penso que o Império Britânico merece um estudo a parte, por ter estado no topo no mundo tanto em fases do período colonial, quanto do período neocolonial, e no final das contas, Londres ainda preserva até hoje parte de seu legado com a Commonwealth e os seus territórios ultramarinos e afins, que não são nada desprezíveis, pelo contrário. Não quero praticar injustiças aqui, e nem quero ser xenófobo ou xenófilo. Pretendo falar mais sobre os velhos impérios europeus no futuro, e obviamente falar sobre o Império Britânico é mais difícil, dado o enorme período de liderança britânica no cenário geopolítico e econômico global. Bom, por enquanto é isso.
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
Globalistas brasileiros: imitadores dissimulados
Agora é hora de falar um pouco sobre o grupo político-econômico mais forte neste país: o grupo dos globalistas.
Como já existem fartas fontes a respeito do globalismo, sejam fontes de direita, de esquerda, e até mesmo religiosas, não irei me aprofundar no tema aqui.
Embora seja um termo muito ironizado por diversos especialistas, eu escolhi utilizá-lo por ser um termo que, ao meu ver, bem resume o que é este grande grupo político. Formado por grandes conglomerados de mídia e de empresas globais sediadas geralmente na América do Norte e na Europa, este grupo é formado sobretudo por liberais de esquerdas e sociais democratas, grupos de direita neoliberais,
além do sistema bancário que atua no Brasil. Penso que o termo globalismo bem explica o que representa: um mundo global, unificado e sobre forte influência de órgãos e bancos internacionais. São os principais adeptos da Nova Ordem Mundial propagada com força desde os anos 90, após a dissolução da URSS.
🏦 O globalismo é uma ideologia que possui aspectos da direita, em um sentido de defesa de aspectos e princípios do liberalismo (ainda que não seja o liberalismo clássico, que tem viés um nacionalista), em uma visão internacionalista, e aspectos de esquerda, em aspectos morais e éticos, além de uma visão mais "mecanicista" da sociedade, ou seja, uma visão aonde a sociedade funciona como uma espécie de grande máquina com suas engrenagens. Os pilares do globalismo estão sobretudo na política do internacionalismo, economia (grandes bancos e corporações transnacionais), nos partidos políticos ligados a ideologia globalista e nas grandes mídias.
Tem também a questão da Maçonaria (ou maçonarias), mas é um tema ainda mais complexo e é um assunto à parte. O tema merece um estudo separado. O globalismo é até certo ponto diversificado e utiliza-se fartamente de simbolismo maçônico-esotérico.
No Brasil, o globalismo é de longe o modelo de projeto civilizacional mais atuante e forte, pois o sistema bancário, as grandes mídias e a maior parte dos partidos políticos seguem agendas globalistas. Os sociais democratas em geral, hoje em dia são pró globalismo. As pautas dos sociais democratas de hoje e dos globalistas são bem parecidas em vários aspectos.
O PSDB
O partido que, na minha opinião, mais representa essa visão ideológica no Brasil é sem dúvidas o PSDB, que claramente imita o Partido Democrata dos EUA em muitos pontos e busca também sempre estar alinhado às pautas dos sociais democratas da Europa, que geralmente são bem próximas aos democratas dos EUA. Fora os partidos da "esquerda vermelha", que são contra a nova ordem mundial proposta pelos globalista (eles possuem outros projetos), quase todos os outros partidos acabam por servir ou como linhas auxiliares do PSDB ou como partidos do "centrão", que em muitas vezes seguem pautas ideológicas próximas das do PSDB. O MDB, outro partido forte, tem um viés mais "neutro", por assim dizer. É claro que nem todos os membros destes partidos são globalistas e é claro que nem todas as ações deles são globalistas. Há bons políticos nos partidos aqui citados. Eu sei que política partidária é algo muito complexo e não estou generalizando tudo. Estou falando em um nível mais abrangente, apontando certas tendências ideológicas e partidárias. Isso não quer dizer que não existam no PSDB patriotas e/ou nacionalistas, ou ainda, políticos mais pragmáticos que não concordam com a visão historicamente mais globalista do PSDB, por exemplo. Para além disso tudo, partidos políticos podem mudar bastante com o passar do tempo. Mas historicamente, o PSDB tem sim este viés de alinhamento com pautas globalistas/globalizantes. Não estou usando o termo globalista em um sentido conspiracionista do termo, é claro. Atualmente, podemos dizer que o "Tucanistão" engloba vários setores espalhados em partidos diversos.
A Rede Globo
Um grande pilar do globalismo no Brasil é a Rede Globo, que, sem dúvida alguma, é de longe a instituição de mídia que mais influenciou e influencia a população brasileira. A Globo seguramente influenciou a população mais do que qualquer instituição religiosa ou partido político no país, desde quando foi inaugurada. Se o PSDB é a imitação brasileira do Partido Democrata, a Rede Globo, em assuntos jornalísticos, é a imitação da CNN, devidamente adaptada com a realidade brasileira, com a diferença que a Globo foi por décadas absolutamente hegemônica na TV brasileira, algo que a CNN nunca chegou perto de ser nos EUA.
Sei que agora a CNN "original" chegou ao Brasil, mas isso não muda nada, pois tanto a CNN quanto a Rede Globo possuem o mesmo viés, por razões bem óbvias.
A força da Globo no Brasil não possui paralelo no resto do mundo. Não estou afirmando que todos os funcionários da Globo possuem a mesma ideologia, ou que tudo o que passa na Globo seja ruim ou mentiroso. A "Vênus platinada" obviamente não é um ser vivo, é uma "mega empresa" com donos e funcionários, ou seja, é composta por pessoas e não por robôs. É certo que as diretrizes são dadas pela liderança, que são os membros da família Marinho. Então, são os Marinho, donos da rede, que são claramente globalistas, além de parte dos funcionários, é claro. O mesmo vale para os donos dos grandes bancos do país: não são meras abstrações, são pessoas que seguem essa visão de mundo.
De fato, os globalistas do Brasil sempre buscaram fazer do país uma imitação dos EUA e Europa sob um ponto de vista da esquerda liberal/social democrata dos países "sede". Os neocons do Brasil são bem novos em relação aos globalistas daqui, mas algo é indiscutível: os dois lados fazem de tudo para serem imitações de seus mestres. Os globalistas brasileiros também são hipócritas e dissimulados, pois não passam de meros imitadores, sem um projeto que de fato melhore o Brasil. Eles imitam tanto os EUA que até mesmo as pautas identitarias (envolvendo negros e brancos, por exemplo), já trouxeram ao Brasil, mesmo o Brasil sendo o país mais mestiço do mundo, ou seja: tanto brancos quanto negros são minorias (você acha que mesmo que quase metade da população brasileira é branca, como aponta o IBGE? 😂). Infelizmente, os brazucas globalistas estão tão perdidos das ideias quanto os neocons e os petistas. Eles não buscam ver o Brasil como ele é, eles buscam modelos de visão de mundo prontas, importadas de fora, como se sociologia fosse um produto que se compra pela internet.
Internacionalização da Amazônia 🌳
O que creio que eles querem fazer no Brasil?
Penso que para se compreender os globalistas brasileiros, é preciso entender que eles defendem transformar a Amazônia em um território internacionalizado sob comando dos EUA, União Europeia, Reino Unido e aliados, grupo também chamado midiaticamente de "comunidade internacional". A comunidade internacional deles: 🙄
Embora o ambientalismo em si não seja globalista, o globalismo possui nas pautas ambientais um de seus pilares. É claro que o globalismo vai muito além disso. Recomendo estudar o tema longe dos conspiracionismos malucos que existem pela internet, e é claro: com seriedade e paciência.
Para se entender melhor o globalismo no Brasil através da questão ambiental: Corredor Triplo A
Um ponto de vista abertamente globalista: Climatismo, globalismo .
Na minha opinião, o maior objetivo globalista no Brasil é internacionalizar a Amazônia e adjacências mais ou menos nos moldes do Tratado da Antártida, de 1959, porém, com a participação apenas dos países da "comunidade internacional", que também pode ser chamada de "grupo de países membros da OTAN".
Então, assim como os petistas e neoconservadores brazucas, os globalistas daqui não passam de meros imitadores, como se fossem macaquinhos adestrados. 🙊
CANZUK: a nova aliança anglo-saxã
São três os principais projetos de alianças envolvendo os países anglo-saxões, que, em princípio, aparentam ser projetos distintos, mas que estão claramente alinhados a uma agenda internacional comum, rumando para uma mesma conclusão, que é uma ideia de confederação entre 4 dos 5 países envolvidos, sendo algo análogo à União Europeia.
Desde o BREXIT, o Reino Unido tem se esforçado muito para recuperar seu velho prestígio do período pré Segunda Guerra Mundial. Nunca vi o BREXIT apenas como uma espécie de "racha" interno, e sim como o ponto de partida de um novo projeto econômico, social e geopolítico,embora, é claro eu não ignore a divisão que houve dentro da própria Grã-Bretanha nos eventos relacionados ao BREXIT. O fato é que, desde o BREXIT, os britânicos estão abertamente trilhando um caminho que já está levando Londres a uma posição de segunda força do Ocidente, atrás apenas dos EUA, e isto não parece incomodar os britânicos. Na verdade, este parece ser o objetivo.
Five Eyes (Cinco Olhos)
Com mais de 900 milhões de habitantes, (por volta de 915,993000) , a soma dos cinco países, "Five Eyes" (Cinco Olhos) de origem anglo-saxã é formada por 🇦🇺 Austrália, 🇨🇦 Canadá, 🇺🇲 EUA, 🇳🇿 Nova Zelândia e 🇬🇧 Reino Unido.
A aliança está totalmente alinhada com a União Europeia e OTAN, não sendo assim, um projeto de aliança contrário aos outros projetos ocidentais, e sim, um projeto que se insere no contexto das relações internacionais do Ocidente.
Após o BREXIT, a aliança passou a ter uma importância a mais, pois o Reino Unido, agora mais distante e independente da União Europeia, precisa de fortalecer e reconsolidar seu status de potência global.
Veja este vídeo da TV Justiça levantando pontos polêmicos sobre o tema:
AUKUS
E foi neste mesmo contexto de alianças anglo-saxãs que nasceu a aliança AUKUS (Austrália, Estados Unidos e Reino Unido). Neste caso, trata-se de uma aliança explicitamente militar e de viés sobretudo geopolítico. Não faz parte da aliança AUKUS (ao menos oficialmente), a Nova Zelândia. Veja esta matéria acerca do nascimento da aliança: AUKUS . Acontece que, já estando inseridos na OTAN, EUA e Reino Unido aproximam-se ainda mais, e fica implícito que a aliança entre as duas potências é bem mais próximas e isto serve como um sinal para os demais países da OTAN.Aqui, um vídeo com foco nos aspectos militares:
CANZUK
O projeto chamado CANZUK surgiu como uma alternativa para os britânicos como alternativa diante da saída da União Europeia. O projeto envolve Reino Unido, Canadá, Nova Zelândia e Austrália. Basicamente, envolve o Reino Unido e suas ex-colônias que possuem até hoje fortes ligações com os britânicos, inclusive tendo ainda como principal líder o monarca britânico. Sim, estes países são oficialmente monarquias, embora possuam forte independência em relação à Londres. Somando aproximadamente 140 milhões de habitantes, a união teria o terceiro PIB do mundo. Tudo indica que, indo à frente, será uma confederação de países parecida com a União Europeia. A grande diferença está no fato de que a aliança não encontraria forte resistência em ter uma cidade principal (Londres), não encontraria problemas culturais, sobretudo pelo fato de serem países cujas populações possuem a mesma origem britânica e falarem exatamente o mesmo idioma (inglês), e ainda por cima provavelmente teriam todo o apoio dos EUA.
Provavelmente teriam que aparar as arestas com a União Europeia, o que seria difícil, mesmo tendo o apoio dos EUA. Em aspectos econômicos e políticos estão os maiores problemas, pois os países teriam que resolver seus problemas internos no que diz respeito à indústrias, comércio e leis nacionais. Como adversários, teriam que lidar com o bloco eurasiano chefiado por Rússia e China, o que seria um desafio e tanto.
Veja abaixo este vídeo sobre o projeto:
Ainda em relação ao Reino Unido, é importante dizer que há mais territórios que fazem parte do Reino diretamente: Bahamas, Belize, Granada, Jamaica, Papua-Nova Guiné, Ilhas Salomão, Santa Lúcia, Antígua e Barbuda, São Cristóvão e Nevis e também São Vicente e Granadinas.
Também existe a Commonwealth (British Commonwealth of Nations), que é uma organização intergovernamental composta por 56 nações que colaboram entre si em vários setores, como economia, política e cultura. Enfim, o Reino Unido possui muitas ligações.
Concluindo
Estamos diante da consolidação de um novo processo de integração no mundo Ocidental, que possui como protagonista Londres e que conta com o apoio dos EUA, principal potência ocidental, em uma jogada geopolítica de rearranjo do Ocidente, envolvendo todos os continentes. Desta forma, os EUA mantém-se como principal força, mas sem se exporem tanto, e de um modo que agrada tanto os republicanos, que querem ver os EUA como líderes do Ocidente, quanto os democratas, que vêem os EUA como parte da liderança do Ocidente, dividindo sua liderança com outros países. Ao mesmo tempo, é benéfico para o Reino Unido, que aos poucos volta a ser forte no cenário internacional, pois se consolida como a segunda força da OTAN, servindo como uma espécie de elo de ligação cultural, social e geopolítico entre a América do Norte e suas ex-colônias, interligado sempre com a OTAN, de modo que a aliança destes cinco países passa a ter mais força em todo o planeta. Neste sentido, o Ocidente continuaria com os EUA como liderança, mas tendo o Reino Unido como segunda potência chefiando os demais países anglo-saxões. Está nascendo uma nova versão do Império Britânico? O tempo dirá.
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Fui professor de História entre 2022 e o início de 2025. Em 2023, participei do concurso estadual e o meu vídeo foi aprovado: