Um dos maiores erros nas discussões políticas atuais é a defesa da ideia de que ser conservador é defender o controle exagerado das fronteiras nacionais. Nada mais equivocado. Eu vou falar agora sobre a questão da imigração nos EUA.
Os EUA, assim como o Brasil, foram inundados de imigrantes no século XIX. A maioria veio aqui para a América partindo da Europa. Naquela época, um período muito mais conservador do que atualmente no mundo Ocidental, pouco era necessário para entrar aqui na América. Vou me focar um pouco mais nos EUA:
O número de imigrantes que adentrou nos EUA desde o século XIX gigantesco:
"...mais da metade da população atual dos Estados Unidos (que é de 320 milhões de habitantes) tem antepassados que entraram no país pela cidade de Nova York entre as décadas de 1820 e 1920."
Fonte: imigração nos EUA
A maioria partiu do Reino Unido, da Europa germânica e da Península Itálica. Em uma época em que não existia sequer passaporte, centenas de imigrantes chegavam em navios diariamente nos EUA, mudando para sempre os rumos do país. A maioria era pobre e chegava com poucos recursos em um país gigantesco, com muita vontade de trabalhar, estudar e engrandecer o "Novo Mundo". Pessoas ricas e de condições financeiras medianas também chegavam aos montes.
Em um mundo muito mais livre, as pessoas tinham liberdade para produzirem riqueza e criarem novas comunidades. Nada mais conservador. É claro que houve preconceito, xenofobia e desrespeito em várias ocasiões, mas nada comparado ao que se vê no discurso anti imigrações de hoje em dia. Não estou levando em conta, é claro, a questão do racismo contra os negros, que era um absurdo no Século XIX. Hoje em dia, o que vemos na questão do racismo dos EUA é histeria neomarxista acusando os brancos de praticarem o "racismo estrutural", o que é uma farsa.
Na mentalidade socialista, o forte controle estatal da sociedade sempre foi uma prioridade. Excesso de documentos, muitas regras, entrega de informações familiares e outras práticas burocráticas sempre estiveram na agenda dos socialistas, sejam eles marxistas ou os "socialistas utópicos". E assim é até até hoje. Conforme a influência socialista foi crescendo nas estruturas estatais mundo agora, as exigências para imigrantes foram aumentando. Com a ascensão do socialismo e demais teorias políticas similares, o Estado passou a ser um controlador nefasto até da vida privada das pessoas. O século XX chegou, veio o fascismo, que cooptou parte dos conservadores, tornando-os na verdade revolucionários, ou seja, a Terceira Teoria Política se apoderou do termo conservadorismo, e como toda farsa bem feita, enganou multidões pelo mundo. Pois bem, o fascismo se enfraqueceu após a Segunda Guerra Mundial, mas a influência do pensamento estatista do século XX não acabou. Com a virada do milênio e o surgimento do neofascismo, criou-se erradamente o mito de que o controle exagerado de fronteiras e a xenofobia são características do conservadorismo. Mentira! Sempre foi característica socialista e fascista o forte controle social e a máxima intervenção possível sobre a circulação de pessoas. Quem defende que haja forte restrição de entrada de imigrantes latino-americanos nos EUA não está agindo de modo conservador. Ao contrário, está agindo em favor de uma agenda socializante e até mesmo neofascista ou filofascista. Não é a toa que os mesmo defensores do controle forte de fronteiras nos EUA são os que dizem lutar contra a "extinção do homem branco". Um absurdo com cheiro de nazismo. O fato é que a maioria dos imigrantes que entram nos EUA é composta por cristãos conservadores (de maioria católica) com uma taxa de natalidade maior do que a taxa média dos EUA, o que é ótimo, pois uma população envelhecida não gera riqueza.
Desde quando o fator "raça" deve ser preponderante para definir política migratória? Desde quando imigrantes cristãos destroem a cultura dos EUA, sendo que os EUA sempre foram um país de maioria cristã? Não é estranho o discurso anti imigração? Já está provado que a história de que imigrantes aumentam a violência nós EUA é uma farsa: violência e imigração nos EUA
Derrubado o argumento da suposta violência dos imigrantes, agora é hora de derrubar o argumento da extinção da raça branca:
Ora pois, já está comprovado que só existe uma raça, a raça humana. O argumento racial é ridículo. O argumento cultural também é, já que quase todos os que adentram os EUA são cristãos ou secularistas.
Não há risco de superpopulação nem de guerra por motivos étnicos ou algo de tipo. O que está por trás do ódio aos latino-americanos que vão para os EUA é o velho racismo e o supremacismo WASP. Ódio contra imigrantes é reflexo de insegurança e ignorância. Defendo que os mexicanos, argentinos, brasileiros, etc, assim como dinamarqueses e russos possam adentram tranquilamente nos EUA, sem tanta burocracia e controle estatal. Aliás, eu gostaria de ver, por curiosidade, uns 100 mil dinamarqueses étnicos pedindo espontaneamente para irem viver nos EUA. O motivo? Eu queria ver a reação dos defensores de Donald Trump. Será que gritariam : "Danish boys, go out?" , como gostam de fazer com os mexicanos? Bom, dá pra imaginar como seria, não é mesmo? Claro que isto só aconteceria se uma catástrofe ocorresse na Dinamarca e eu não desejo isto. Eu apenas quis levantar a hipótese para melhor explicar o que está por trás da babaquice anti imigração nos EUA.
Não sou liberal, nem no sentido usado no EUA (esquerdista, liberal de esquerda e afins), nem no sentido usado no Brasil (capitalista, defensor do liberalismo, do iluminismo), mas irei colocar aqui um link de um liberal brasileiro bem conhecido defendendo a livre circulação de pessoas:
É óbvio que existem casos e casos. Na Europa, por exemplo, a situação é outra. Envolve a União Européia e dezenas de país. Envolve questões culturais profundas e questões religiosas sérias, para além da muito complexa geopolítica envolvendo Europa, Mediterrâneo, Israel, Oriente Médio, etc. Mas em linhas gerais, lá também o controle de imigração é um fracasso. E no Brasil? Bom, aí é tema para um artigo a parte, já que não sabemos se existirá Brasil nos próximos anos...
