sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Marcusianismo a falsa liberdade do Maio de 1968

Se você pensa que as relações sociais do dia a dia sempre foram regidas por sexo, drogas e pseudo-cultura, saiba que você caiu em um discurso de ilusões. A atual sociedade não é assim por acaso. Há um contexto histórico para tudo isso. 

Depois da desilusão de diversos grupos de esquerdas não radicais com a terrível tirania da URSS, muitos simpatizantes de ideias progressistas voltaram seus olhos para outra nação: os EUA. Sim, o país que mais defendia os valores do liberalismo político nos anos 60, serviu de refúgio para diversos grupos de esquerda e até mesmo comunistas. O maior motivo: a liberdade de expressão. Nos EUA podia criticar o socialismo. Na URSS, não. Se na URSS, China e demais países socialistas não havia liberdade para discordantes (mesmo os de esquerda), nos EUA havia. 

Outro ponto importante a ser ressaltado: hoje em dia, a dicotomia direita x esquerda está centralizada, na maioria das vezes, na oposição liberalismo x socialismo. Mas nem sempre foi assim. Quando a visão dicotômica direita x esquerda surgiu no contexto da Revolução Francesa, a então nomeada "esquerda", era aquele grupo que mais se identificava com os atuais valores liberais republicanos. Ora, os EUA nasceram sobre forte influência destes valores, e, embora não tenha nascido da mesma fora do que a França republicana, o país dos "founding fathers" carrega em alguns de seus valores constitucionais fundamentais, ideias do que geralmente se chama de "ideias de esquerda". Então, de certa forma, os EUA sempre foram um terreno fértil para grupos mais progressistas. E assim continua sendo. 

O Maio de 1968 teve como foco a França, mas não teria acontecido sem parte da intelectualidade e parte da grande mídia dos EUA. É neste contexto que o Ocidente sempre enfrentou, desde o começo da Guerra Fria, os ideias socialistas soviéticos da URSS e maoístas da China. Se por um lado, os ocidentais foram competentes no combate ao extremismo totalitarista do leste europeu (a URSS colapsou, certo?!), por um outro, falhou miseravelmente ao lidar com o outro extremo da esquerda: o hedonismo elevado à condição de ideologia, como uma forma de destruição social. 
A China rejeitou totalmente o marcusianismo, mas a URSS o quis nos EUA e na Europa. Na ditadura de Moscou, não.  "Pimenta nos olhos dos outros, é refresco", já diz o ditado. 

É neste ponto que se encontra o Ocidente agora. Não é possível entender todo este fenômeno sem levar em conta o ponto central deste processo revolucionário.
A visão marxista serve de base, mas a marcusiana é o motor intelectual do atual processo de destruição social que vivemos, tanto no Ocidente, quanto nos países fortemente influenciados historicamente pelo mesmo. 

O mais curioso disso tudo, pra mim, é ver que a maioria dos pretensos marxistas atuais não passam de um bando disforme de pessoas mais ou menos marcusianas, que se apegam apenas a símbolos marxistas e certos discursos prontos, mas que, seguramente, se estivessem vivendo em algum país marxista, estariam presos, mortos ou escondidos, posto que regimes marxistas não suportam os trejeitos e valores da nova esquerda, que, sem dúvida alguma, é sustentada em grande parte pelo grande capital transnacional. Mas não há tantas novidades aí: os antigos marxistas, do século XIX até meados da Guerra Fria, sempre se esbaldaram na grana da burguesia. E claro, o atual regime chinês só é o que é graças ao capital Ocidental.

Utilizar a música, o sexo e as drogas como meios de destruição social é algo extremamente eficiente. Funciona e estamos no meio deste processo.

Recomendo este vídeo do professor Carlos Nougué. Não concordo com as visões dele acerca de muitas questões eclesiásticas, mas seguramente ele é um intelectual de verdade e  a análise dele em relação a Revolução Marcusiana é correta. Assista: 






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